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27/03/2009 - 15h46

Para o Vaticano, resolução da ONU sobre difamação religiosa pode fomentar discriminações

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 27 MAR (ANSA) - O observador do Vaticano junto à Organização das Nações Unidas (ONU), monsenhor Silvano Tomasi, disse nesta sexta-feira que a Santa Sé votou contra a resolução da entidade sobre a difamação religiosa por considerar que a norma pode formentar discriminações contra minorias de credo.

Em entrevista à Rádio Vaticana, Tomasi defendeu os argumentos do Vaticano para rejeitar a iniciativa, proposta pelo Paquistão em nome dos países árabes e aprovada ontem por 23 dos 47 países que votaram no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Outras 11 nações foram contrárias e 13 se abstiveram.

Segundo o monsenhor, existe o risco de que o conceito de difamação seja manipulado por governos para coibir minorias religiosas em uma determinada sociedade.

"O reconhecimento jurídico do conceito abstrato de difamação religiosa pode ser usado para justificar leis contra a blasfêmia, que em alguns Estados são empregadas para atacar minorias religiosas de maneira violenta", argumentou.

No documento, a ONU se diz preocupada com a frequente difamação das religiões e a define como uma violação dos direitos humanos, pedindo aos governos que atuem contra "atos de ódio, discriminação, intimidação e coerção". O texto, no entanto, menciona somente ofensas ao islamismo.

Tomasi, por sua vez, indicou que o cristianismo é a religião que mais sofre com a difamação no mundo. "Os cristãos, como está documentado, são o grupo religioso mais discriminado. Fala-se de 200 milhões de cristãos, de uma denominação ou de outra, que se encontram em situações de dificuldade", sustentou.

Para ele, tal quadro se deve à existência de "estruturas legais ou culturas públicas que levam à discriminação em relação aos cristãos".

"Há situações como declarações públicas de parlamentares que atacam este ou aquele aspecto da crença cristã, o que tende a marginalizar" seus praticantes, disse o religioso.

A Europa também votou contra a resolução, sob o argumento de que ela poderia colocar em risco a liberdade de expressão e de imprensa, criando brechas para a censura. Há dois anos, um jornal dinamarquês publicou caricaturas de Maomé que foram consideradas ofensivas por comunidades islâmicas.

O Brasil foi um dos países que se abstiveram, ao lado de Argentina e Uruguai.

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