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22/08/2003 - 13h03

China volta a vender animais que podem ter causado a Sars

Reuters

PEQUIM (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde considerou na sexta-feira "prematura" a decisão da China de suspender a proibição da venda de 54 espécies exóticas que costumam ser consumidas como alimentos no país e que podem ter sido a origem do letal surto da síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês).

A China proibiu o comércio desses animais em maio, quando declarou guerra à doença que matou mais de 800 pessoas e infectou cerca de 8.000 em todo o mundo. A decisão esvaziou as gaiolas dos bazares de Guangdong, no sul, onde a doença surgiu, em novembro.

Na semana passada, a Administração Florestal do Estado suspendeu a restrição. Na página do órgão na Internet (www.forestry.gov.cn), constam quatro espécies como estando liberadas -- cervo, avestruz, peru e rã. Mas a agência semi-oficial China News Service e vários jornais estatais disseram que também estão incluídos o gato-almiscareiro, um mamífero semelhante à fuinha no qual já foi encontrado um vírus semelhante ao que causa a Sars.

"Do ponto de vista da saúde pública, é talvez um pouco prematuro suspender a proibição sem colocar em vigor os regulamentos para a criação, comércio e consumo de espécies selvagens", disse Marie Cheng, porta-voz da OMS em Pequim.

Segundo ela, zoólogos da ONU e do governo chinês testaram na semana passada cem espécies de animais e descobriram que "algumas" deram positivo para a Sars. Novos exames ainda são necessários, disse ela, "mas embora os resultados sejam preliminares, ainda assim são sugestivos".

O departamento florestal disse que o fim da proibição "não significa que essas espécies não tenham vírus", e sim que elas apresentam condições para o comércio.

Várias espécies de animais selvagens são vendidas abertamente nos mercados chineses, nem sempre muito higiênicos. Eles são considerados iguarias refinadas na China. "Animais mantêm contatos [com outras espécies] que normalmente não teriam na natureza", disse Cheng, alertando que isso permite que um vírus salte de uma espécie para outra.

Funcionários da OMS saíram de uma reunião com autoridades chinesas na quinta-feira dizendo que o governo está disposto a investir mais dinheiro e pessoal nas pesquisas sobre a Sars em animais.

"Eles parecem perceber a importância de localizar a origem da Sars para que possamos evitar que [o vírus] salte novamente a barreira das espécies", afirmou Cheng.

(Por Jonathan Ansfield)

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