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28/03/2006 - 13h15

"Canadá foi incompetente ao administrar seus recursos naturais", diz membro do Greenpeace

Isadora Fernandes
Da Redação

AFP

Foto tirada por ativistas do
International Fund for Animals (IFAW)
mostra caçadores carregando navio
com focas mortas no Golfo de St Lawrence
(27/03/2006)
Começou no último fim de semana, no Canadá, a caça anual às focas. Apesar de ser considerada um "massacre" pelos ecologistas e grupos de defesa dos direitos dos animais, a caça é permitida e incentivada pelo governo do país e vai matar a pauladas pelo menos 325 mil focas.

Os caçadores, que vendem seus produtos para os comerciantes de peles, preferem os filhotes por causa dos pêlos mais macios e brancos. Apesar de 85% dos canadenses ser contra a morte de focas com menos de um ano (segundo dados da organização respect for animals), os filhotes estão "liberados" para morrer a partir de duas semanas de vida.

O método é cruel: os filhotes são mortos com pauladas na cabeça, para não estragar a pele. Muitos tentam fugir, não são abatidos no primeiro golpe e agonizam por muito tempo antes de morrer. O governo tentou "humanizar" a matança obrigando os caçadores a usar um bastão chamado hakapik, "mais eficiente e humano", mas não patrocinou a compra destas armas. A maior parte dos caçadores usa pedaços de pau ou até mesmo o cabo da espingarda para matar as focas.

O governo canadense justifica o massacre dizendo que o número de focas precisa ser controlado e que o comércio de peles é uma importante fonte de renda para a população local. "Eles alegam que estão criando novos empregos em áreas economicamente degradadas", diz Farah Obaldullah, ativista do Greenpeace que conversou com o UOL Bichos pelo telefone. "Mas a verdade é que a caça às focas representa menos de 5% da receita destas comunidades", completa.

A indústria da pesca, outra fonte de renda para as populações das províncias em que é realizada a caça às focas, é mais lucrativa e também serve de desculpa para a matança. Segundo Farah, "O governo diz que precisa controlar a população de focas porque elas estão acabando com a pesca, mas a verdade é que a pesca está acabando porque no passado o Canadá foi incompetente ao administrar seus recursos naturais".

Farah, que participa da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8), em Curitiba, disse que o governo do Canadá não apresentou nenhuma boa proposta para a manutenção da biodiversidade do país. "Eles deveriam tentar criar alternativas econômicas sustentáveis. Se a matança continuar neste ritmo, a caça às focas não será sustentável a longo prazo", explica a ativista.

Além dos cruéis caçadores, as focas precisam enfrentar as mudanças climáticas e a diminuição de sua fonte natural de alimento. Farah explica ainda que o governo só contabiliza como mortas as focas cujas peles são coletadas, mas que não há nenhum controle rigoroso de quantos animais realmente são eliminados. "Há muita caça ilegal, porque os caçadores não respeitam o limite de idade dos filhotes. Também não entram na contagem do governo as peles que foram danificadas durante a matança e abandonadas", diz Farah. "Além disso, as áreas onde a caça ocorre são de difícil acesso. É improvável que eles saibam tudo que realmente ocorre lá", explica.

Farah terminou a entrevista com um apelo: "Peço às pessoas que escrevam para o governo canadense ou para as embaixadas do Canadá em seu país pedindo o fim da caça às focas. O Greenpeace é contra a caça comercial de focas e tem esperanças de que, se houver pressão suficiente, o governo canadense irá considerar o fim desta prática".

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