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11/05/2007 - 21h26

Como tratar o "bafo" de cães e gatos?

SERGIO CAMARGO
Colaboração para o UOL

Deshakalyan Chowdhury/AFP

Leão boceja no zôo de Calcutá, na Índia

Leão boceja no zôo de Calcutá, na Índia

Ninguém nasce com mau hálito, e isso vale também para os animais de estimação. É comum as pessoas pedirem "beijinhos" aos seus cães e gatos quando eles são filhotes. Depois, quando os bichos crescem, este hábito desaparece, e o mau-hálito é apontado como a principal razão desse abandono.

Você consegue se imaginar sem escovar os dentes todos os dias, várias vezes ao dia? Com os bichos de estimação, não é diferente. Os cuidados com a higiene bucal fazem parte da qualidade de vida desses animais.

Cães e gatos também podem ter doenças periodontais. Essas doenças, aliadas à predisposição individual e à falta de higiene bucal, dão início à placa bacteriana, que começa a se instalar favorecida pelo acúmulo de resíduos alimentares e ausência total de higiene. A formação da placa é contínua, sustentada pela extensa variedade de bactérias que habitam a cavidade oral (mais de 400 espécies).

A organização progressiva das bactérias torna visível a placa bacteriana. Junto com restos alimentares, secreções orais (células, sangue etc) facilitam esse processo, que acaba gerando a formação de tártaro, ou "cálculo dental". Ele é cumulativo e pode causar lesões na boca, afetando raízes dentárias, gengivas, o tecido ósseo de fixação dos dentes e gerando mau hálito.

O "bafo" é um sinal de que as coisas não vão bem na boca do seu bicho. Dor, desconforto, gengivite e sangramento são alguns sintomas. O mau hálito é resultado das atividades das bactérias, que produzem compostos sulfurosos responsáveis pelo odor desagradável. Ele pode ser controlado com a escovação.

Escovar os dentes do seu bicho uma vez por dia, com creme dental específico para animais, pode ser suficiente. Não use produtos feitos para pessoas, pois são irritantes e até tóxicos para os animais. Os cremes dentais para animais com agentes químicos que controlam o crescimento bacteriano e podem ser engolidos pelo animal, sem precisar de enxágüe, são os mais indicados.

Para criar o hábito da escovação, o dono precisa ter paciência e ser delicado com o animal. É preciso treinar o cão ou gato com atitudes contínuas, que gerem confiança no "pet", e premiá-lo no término de cada sessão, criando um condicionamento.

Há também a possibilidade de utilizar biscoitos e alimentação industrializada, cuja textura colabora para o controle do tártaro. Tais produtos funcionam quando não existe ainda uma colônia bacteriana na boca do animal, sem formação de placa e cálculo dental. Os produtos com especificidades químicas e mecânicas para controle da placa bacteriana podem evitar ou diminuir o percentual de crescimento bacteriano, sendo capazes de controlar o desenvolvimento do cálculo dental.

Mas a escovação e os alimentos para controle da placa e do tártaro têm importância preventiva. Para os animais que já apresentam o cálculo, é preciso realizar o tratamento periodontal, que identifica e trata as lesões existentes. "Zerar" a boca do paciente e então dar início aos cuidados diários é o ideal.

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Sergio Camargo é médico veterinário, pós-graduado em Odontologia Veterinária e faz parte da ANCLIVEPA (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais do Estado de São Paulo). CRMV-SP 2914

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