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18/08/2007 - 15h39

Exposição fotográfica revela tradicional pesca de atum siciliana

Da Ansa
A prática milenar da "tonnara" (pesca de atum), na qual peixes e pescadores se enfrentam em um corpo a corpo no Mediterrâneo, é tema de uma exposição que revela detalhes do rito que encurrala o peixe e o conduz ao encontro final com o arpão.

"O príncipe dos mares", do siciliano Giuseppe Di Salvo, fica em cartaz na sala da Corporación Sur Buenos Aires, no bairro de San Telmo, até 16 de setembro. A exposição foi organizada pelo Instituto Italiano de Cultura de Buenos Aires, a comuna de Trapani e a Federação de Entidades Sicilianas de Buenos Aires e Sul da República Argentina.

Diante da cidade de Trapani, no Mediterrâneo, encontram-se as ilhas Egadas, Levanzano, Marettimo e Favignana. Nesta última ainda se pode assistir à prática da "tonnara": um sistema de redes carregadas por cerca de 40 homens prende o peixe e o guia até uma "câmara da morte" ao encontro do "Rais", o chefe da matança.

Os pescadores, em seguida, levantam com força a rede e se lançam contra ela para finalizar o calvário do atum, que morre com o arpão cravado sobre o lombo.

As imagens documentam cada instante do ritual: a construção artesanal das redes, feitas à mão; a partida do barco; o gozo antecipado no rosto do Rais; o movimento das brânquias do peixe.

Finalmente, como oferenda, conta Di Salvo à ANSA, um dos "tonnaroti" se banha no sangue dos peixes.

"Os pescadores me convidaram a fazê-lo, mas não quis, não pude. E quando tudo terminou também não pude apagar da minha cabeça a transformação em seus olhares enquanto matavam cada animal".

Criado entre pescadores e timoneiro profissional, Di Salvo, que nasceu em Trapani em 1965, assegura: "Não voltaria (à tonnara) nem a fazer estas fotografias".

As leis da superstição, ao menos, estão do seu lado, pois dizem que ninguém que tenha recusado aquele batismo de sangue volta à "tonnara".(

Hospedagem: UOL Host