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24/07/2008 - 15h22

Pingüins de Magalhães invadem as praias de Salvador

Aurelio Nunes

Especial para o UOL

Em Salvador (BA)

Divulgação

Pingüins encontrados em praias de Salvador

Pingüins encontrados em praias de Salvador

As praias de Salvador estão sendo alvo de uma verdadeira invasão de pingüins de Magalhães, oriundos do extremo sul do continente sul-americano. Desde a última quinta-feira, o instituto de Mamíferos Aquáticos (IMA) recebeu mais de 140 aves em sua sede, em Pituaçu, e a conta não pára de crescer.

Moradores de Salvador estariam capturando e vendendo pingüins
"Eu consegui pegar só dois, mas na praia aonde eu estava tinha mais de 20 nadando", conta o administradorjoab Santos Silva, 25. "Só consegui pegar os que estavam mais fraquinhos. Os mais fortes me bicavam", explica.

O fenômeno vem se repetindo com menor intensidade em outras praias do Estado. A base do IMA em Ilhéus acolheu 19 pingüins, outros 15 estão internados na base da Naía de Todos os Santos, em Paraguaçu, cinco estão em Camamu e quatro em Morro de São Paulo.

Moradores estariam capturando e vendendo pingüins
Os biólogos do IMA explicam que a incidência de pingüins em águas baianas nesta época do ano não é inédita, mas o número de aves animais perdidos sim. Nunca foram registrados mais do que 10 pingüins encontrados por ano em todo o Estado.

"Em virtude do fenômeno climático La Niña, essas aves se perderam de sua rota migratória e vieram parar aqui", explica o coordenador do Centro de resgate de Mamíferos Aquáticos do IMA, Luciano Reis. Segundo ele, o destino dos pingüins eram as praias da costa atlântica do continente africano, onde costumam migrar todos os anos nessa época para se reproduzirem.

Xampu

Um erro comum das pessoas que resgatam pingüins nas praias é colocá-los em ambientes com água gelada, o que pode até causar a morte do pingüim de Magalhães, que não é uma espécie polar e tolera bem temperaturas entre 7ºC e 30ºC.

Na semana passada, um banhista chegou dar banho de xampu em um pingüim que acabara de recolher. A recomendação dos biólogos e veterinários do IMA é para que os animais recolhidos sejam lavados apenas com água limpa, enrolados em cobertores e acondicionados em caixas com jornal antes de transportados.

"Os animais que têm chegado aqui estão desidratados e desnutridos, mas o que mais preocupa é que eles estão com hipotermia. A temperatura normal de um pingüim é de 39ºC a 40ºC, mas muitas vezes eles chegam aqui com 33ºC", explica a coordenadora do IMA, Sheila Serra.

Doações

ONG criada pelas cinco empresas do consórcio Manati, responsável pela exploração de petróleo e Gás Natural na costa baiana, o IMA, como o próprio nome diz, é especializado em mamíferos aquáticos, e não em aves. No entanto, foi licenciado pelo Ibama para fazer a triagem dos pingüins por ser a única entidade aparelhada para atender à crescente demanda.

"Temos uma equipe técnica capacitada, mas não estamos conseguindo dar conta de tantos pingüins. Precisamos de voluntários e de doações para comprar medicamentos e sardinhas para alimentar ao animais", desabafa a diretora do IMA, Maria do Socorro Reis, 41.

Como estão fracos, a maioria dos animais não come mais que 200 gramas de peixe por dia. mas quando estiverem recuperados da longa jornada que fizeram, a expectativa é que comam, em média, um quilo de peixe por dia.

"Precisamos também de jornal, cobertores velhos, vitamina B-1 e álcool iodado", acrescenta a veterinária Rosana Rodrigues, que, juntamente com sua companheira Raquel Velozo, tem sido submetida a uma jornada de até 15 horas diárias de trabalho desde a última quinta-feira, quando os pingüins começaram a aparecer em Salvador.

Até agora, foram registrados 30 óbitos no IMA. Os animais mortos estão sendo acondicionados em freezers para serem submetidos, um a um, a necrópsias.

Na enfermaria, foi improvisada uma pequena UTI, onde os animais mais debilitados ficam enrolados em cobertores, e o auditório foi tranformado em enfermaria, com mais de setenta animais instalados em caixas de madeira. os que já se encontram em melhor estado são transferidos para a área externa, onde tomam banho de sol na areia.

Todos os animais ficarão no IMA até o final de agosto, quando serão transportados de avião para o Rio de janeiro e soltos nas águas de Cabo frio, de onde poderão encontrar a corrente marítima que os levará de volta a seus lares, no Estreito de Magalhães.

Hospedagem: UOL Host