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22/01/2009 - 13h12

Ilha considerada Patrimônio Mundial enfrenta praga de coelhos

A ilha Macquarie, reserva natural situada no oceano Pacífico a meio caminho entre a Austrália e a Antártida, hoje está tomada por coelhos. Infestando às dezenas de milhares a ilhota de 34 quilômetros de comprimento por 5 de largura, eles participam da destruição da vegetação desse espaço protegido, declarado Patrimônio Mundial da Unesco desde 1997.

Os cientistas da base da Divisão Antártica Australiana, únicos habitantes de Macquarie, contribuíram em um recente estudo para demonstrar que a situação atual da ilha se deve em grande parte às intervenções humanas.

A ilha desenvolveu um ecossistema singular até a chegada dos marinheiros no século 19, que desembarcaram com gatos, coelhos e outros roedores que não viviam naturalmente no lugar. A rápida expansão dos coelhos, que os gatos não conseguiram conter, levou os homens a introduzir em 1978 o vírus da mixomatose, fazendo cair rapidamente a população de 100 mil para 20 mil indivíduos. Os gatos teriam então procurado uma presa mais fácil, os pássaros marinhos.

Para proteger as aves, os homens decidiram exterminar os felinos, entre 1985 e 2000. Resultado: desde 2006 (com o fim da epizootia de mixomatose), a colônia de coelhos aumentou muito. A tal ponto que o estado australiano prevê agora exterminar os 130 mil coelhos, mais de 103 mil camundongos e 36.600 ratos presentes na ilha. Custo da operação: ? 24 milhões, principalmente para o extermínio dos ratos por helicóptero, no inverno de 2010.

Para os autores do relatório, Macquarie permite demonstrar concretamente a responsabilidade nociva do homem em sua gestão das espécies. O estudo mostra que 20% da superfície da ilha estão despidos de vegetação. Mas para Michel Pascal, cientista do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica especializado no combate a espécies invasoras, a erradicação dos gatos pelo homem não é a única explicação. Os invernos menos rigorosos beneficiaram os coelhos, mas não a vegetação, que também sofreu com a forte erosão dos ventos.

Desde a década de 1960, em diversos pontos do globo, o homem tenta com maior ou menor sucesso e em uma ótica ecológica erradicar as espécies que muitas vezes ele mesmo contribuiu para introduzir.

Por exemplo, desde 1954 os americanos procederam à eliminação dos porcos na ilhota francesa de Clipperton, o que permitiu o retorno dos atobás. Mas, ao contrário, a destruição das formigas com extenso uso de pesticidas perturbou consideravelmente o equilíbrio do ecossistema.

Efeitos indiretos

Se os pesquisadores não estão totalmente de acordo sobre as causas da destruição da vegetação da ilha Macquarie, eles concordam em alguns pontos: a indispensável erradicação dos roedores, que foram todos introduzidos pelo homem e provocam prejuízos importantes, e a necessidade de se estudar previamente o ecossistema e a cadeia alimentar.

"As lições a ser tiradas para as agências de conservação são que as intervenções devem ser completas e incluir avaliações de riscos para considerar e planejar os efeitos indiretos e enfrentar os custos provocados", indica Dana Bergstrom, um dos autores do relatório.

Segundo Michel Pascal, em Macquarie somente as espécies visadas são suscetíveis de consumir as iscas tóxicas, mas a operação deverá ser "maciça e rápida" para que a exposição dos animais de rapina aos cadáveres infectados seja a mais breve possível e que as espécies autóctones não sofram danos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Hospedagem: UOL Host