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16/05/2009 - 00h22

Observação de pássaros atrai turistas e ajuda a conservação de espécies no Peru

MARIA EMÍLIA COELHO

Colaboração para UOL Bichos

A mais de quatro mil metros de altitude, o Condor andino (Vultur gryphus) percorre centenas de quilômetros sem mover suas asas. O animal desliza suave pelo céu. Sem precisar gastar muito da sua energia, apenas segue o caminho das correntes de ar que passeiam entre os vales e montanhas geladas da Cordilheira dos Andes.

  • Christian Quispe/ UOL

    O vôo do Condor (Vultur gryphus) é observado na Reserva Nacional de Paracas


O vôo é observado quase em total silêncio nos abismos do Cânion do Colca, no sul do Peru. O Cânion é um dentre vários pontos do país visitados pelos "birdwatchers" - termo em inglês usado para nomear os turistas que viajam para, exclusivamente, observar e fotografar aves.

"Há muitos lugares no mundo interessantes para ver pássaros, mas no Peru, eles são mais numerosos e fáceis de encontrar", afirma Fernando Valdívia, documentarista que passou quatro anos filmando por volta de 300 espécies das mais de 1.800 existentes no país.

A produção do documentário de Valdívia faz parte da estratégia do governo em converter o Peru no principal destino dos "birdwatchers". O vídeo está disponível em um site (www.perubirdingroutes.com), que também traz informações das diversas rotas de observação no norte, centro e sul do país, e a lista completa das suas espécies.

"É o turista que permanece mais tempo e gasta mais dinheiro", explica Annette Ramirez do PromPeru, órgão do estado que promove a atividade. A maioria chega dos EUA e Inglaterra.

  • Christian Quispe/ UOL

    a espécie Rupicola peruvianu exibe seu visual exótico na região de Cusco

  • Christian Quispe/ UOL

    A ave Agleactis cupripennis, na região do Parque Nacional Rios Abiseo

O desafio de cada viagem é sempre o mesmo: identificar e registrar uma ou mais espécies. Para isso, "é preciso tempo e conhecimento para reconhecer as diferenças de detalhes, cores, plumas, bicos, patas, rabos", explica o peruano Luis Jussyf, jovem guia de turismo que há um ano dedica-se, exclusivamente, aos "malucos" por aves.

Na mala de um birdwatcher é comum encontrar livros especializados, binóculos, telescópios e uma câmara fotográfica com uma teleobjetiva de, no mínimo, 200 mm. Há quem reserve espaço para os polêmicos "playbacks" de cantos de aves, mas também quem defenda que estas "isca" sonoras transformam o comportamento dos animais.

O fotógrafo peruano Heinz Plenge, especializado em imagens de natureza, registra centenas de espécies há mais de 30 anos sem nunca ter usado deste artifício. Para ele, o silêncio é mais necessário do que qualquer tipo de som: "As aves reagem a vozes, ruídos, buzinas, alarmes", afirma.

Em seu extenso arquivo, Plenge coleciona algumas raridades, como o Pitajo de Tumbes (Tumbezia salvini) endêmica do Norte do Peru, e o Colibri Cola de Espátula (Ocreatus underwoodii), considerada por muitos a ave mais bela do mundo devido ao seu exuberante rabo. Mas sua ave a predileta é o Condor andino: "Ele reina pelos ares, é emblema dos Andes, além de ter sido a primeira que fotografei".

A observação de aves vem ajudando a conservação das espécies e o aumento do conhecimento científico. Muitos "birdwatchers" formam parte de associações como Birdlife International e American Bird Conservancy, passando dicas sobre novas aves a pesquisadores ou redescobrindo espécies consideradas extintas. Para o guia Luis Jussyf, a atividade também gera renda para as comunidades rurais e indígenas que vivem nas zonas isoladas visitadas pelos observadores. "Uma parte do dinheiro gasto por este tipo de turista vai diretamente para o bolso da gente local, incentivando-os a proteger os habitats das espécies".

Hospedagem: UOL Host