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08/06/2009 - 12h30

Jovem de 17 anos descobre antibiótico ao observar ovos de aranha

Um estudante do terceiro ano do ensino médio descobriu em ovos de aranha um antibiótico promissor. No ano passado, Ivan Lavander Candido Ferreira bateu à porta do Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantã. "Eu queria investigar ovos de opilião", conta ele, que desde os 16 anos cria em casa esses animais - um parente inofensivo das aranhas. Interessado em artrópodes, o estudante leu um artigo sobre proteínas antibióticas encontradas no veneno de vespas: além de paralisar a presa, as toxinas também desinfetavam o alimento.

A hipótese de Ferreira partia da observação de que os opiliões deixam os ovos ao relento e eles não apodrecem. Deveria haver alguma substância para proteger os ovos de fungos e bactérias, ávidos por matéria viva. O trabalho sobre vespas mostrava que a seleção natural é um laboratório eficaz para a síntese de potentes microbicidas. Após ouvir o rapaz, o pesquisador Pedro Ismael da Silva Junior entregou ao jovem uma bibliografia e solicitou um projeto de pesquisa. Semanas depois, Ferreira voltou ao laboratório com os livros lidos e o projeto impresso.

Silva Junior convenceu Ferreira a trocar os ovos de opilião por ovos de armadeira, aranha agressiva responsável por cerca de 3 mil envenenamentos em 2007, que já era criada no laboratório. O jovem testava as substâncias que conseguia isolar em colônias do fungo Candida albicans - causador de uma micose conhecida popularmente como "sapinho" - e da bactéria Microccocus luteus. Os dois organismos podem produzir quadros graves em pacientes imunodeprimidos. Colônias do fungo e da bactéria apareceram mortas e, assim, Ferreira encontrou a substância que procurava.

Prêmios

A pesquisa rendeu-lhe quatro primeiros lugares na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace 2009), realizada em março na Escola Politécnica da USP, e um segundo lugar na categoria microbiologia da Feira Internacional de Ciências e Engenharia patrocinada pela Intel (Intel Isef 2009), em Nevada, nos Estados Unidos. Foi a premiação mais alta concedida a um estudante brasileiro no evento americano. Agora, com 18 anos, pretende sintetizar em laboratório a substância que identificou nos ovos da aranha e, então, realizar mais testes para determinar a toxicidade do composto.

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