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20/03/2008 - 13h10

Leite produzido por vacas ajuda a aquecer castelo na Suécia

Claudia Varejão Wallin
De Estocolmo

BBC

Castelo da Suécia passou a aproveitar o processamento de leite de vacas

Castelo da Suécia passou a aproveitar o processamento de leite de vacas

Um castelo da Suécia passou a aproveitar o processamento de leite para aquecer suas instalações. As mais de mil vacas do Castelo de Wapnö se transformaram em fonte dobrada de lucro: o leite, vendido no mercado local, passa agora a fazer parte, ainda que indiretamente, do fornecimento de calor para a construção do século 18, situada no sudoeste do país.

A idéia é simples, segundo o gerente técnico do Castelo de Wapnö, JanTornbjörnsson. O leite é normalmente retirado das vacas a uma temperatura de 37 graus e, em seguida, é rapidamente resfriado para uma temperatura de três graus, a fim de mantê-lo fresco.

"Tudo o que precisamos fazer, portanto, é aproveitar este excedente de energia criado no processo de resfriamento do leite e direcioná-lo para o sistema de aquecimento", disse Jan Tornbjörnsson à BBC Brasil.

Divulgação

Divulgação

Castelo de Wapnö aproveita o processamento de leite para aquecer suas instalações

O processo funciona da seguinte maneira: o equipamento de resfriamento do leite produz calor. Através de um trocador de calor, este "ar quente" produzido no processo de resfriamento é transformado em água quente. A água quente é então bombeada para as tubulacões dos sistemas de aquecimento e de abastecimento de água quente do castelo.

Ou seja, o sistema implantado no Castelo de Wapnö simplesmente aproveita a energia usada naturalmente no processo de resfriamento e a transforma em fonte de alimentacao do sistema de aquecimento. Imagine uma geladeira: quando está ligada, ela produz calor na parte de trás. O que o trocador de calor faz é transformar aquele ar quente em água quente.

As 1,1 mil vacas do castelo produzem 30 mil litros de leite por dia. A sobra de energia gerada é suficiente para ativar todo o sistema de aquecimento central para os 50 cômodos do castelo e instalações adjacentes, incluindo o abastecimento de água quente, segundo o gerente técnico.

Anteriormente, 17 metros cúbicos de combustível eram necessários para aquecer o castelo. Na semana passada, o antigo boiler foi definitivamente aposentado.

O diretor da empresa que opera a produção de leite e derivados no castelo, Lennart Bengtsson, disse que a idéia de usar o leite de vaca surgiu há três anos.

"Produzimos muito leite, e de repente percebemos que a energia produzida no processo de resfriamento do leite estava sendo desperdiçada", disse Bengtsson à BBC Brasil. "Pode soar bizarro, mas na verdade não há nada de tão genial na idéia."

O novo esquema é uma iniciativa pioneira na Suécia. Segundo Bengtsson, já existem planos para a construção de um hotel próximo ao castelo, com aquecimento totalmente produzido a partir de leite de vaca.

De acordo com o diretor da empresa, os benefícios do sistema não se restringem à proteção do meio ambiente. "Para o novo hotel, o esquema vai significar uma economia de cerca de 300 mil coroas suecas por ano (cerca de R$ 790 mil)", afirmou Bengtsson.

Para o castelo, a nova operação vai representar uma redução de custos equivalente a mais de R$ 400 mil por ano.
Segundo Jan Tornbjörnsson, para um país com as dimensões do Brasil os benefícios podem ser significativamente maiores.
"No Brasil, com suas grandes fazendas, o aproveitamento do leite de vaca pode ser um sistema fantástico", disse ele. "A energia excedente pode tanto ser aproveitada no suprimento de água quente como na refrigeração de instalações."

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