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15/04/2009 - 06h41

Cientistas descobrem formigas fêmeas assexuadas na Amazônia

Pesquisadores descobriram uma espécie de formiga na Amazônia totalmente formada por fêmeas e que se reproduz sem sexo.
A Mycocepurus smithii é a primeira espécie descoberta por cientistas totalmente formada por fêmeas que se reproduzem assexuadamente.

A descoberta foi publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B.
A bióloga Anna Himler, da Universidade de Arizona, disse à BBC que a equipe de cientistas liderados por ela fez uma série de testes com as formigas.

Ao estudar o DNA das espécies, os cientistas descobriram que todas as formigas eram clones da rainha da colônia.
Ao dissecar as fêmeas, eles descobriram que as formigas não têm capacidade de fazer sexo, já que os órgãos essenciais para a tarefa não funcionam.

A reprodução assexuada de machos a partir de ovos não fertilizados é comum no mundo dos insetos, mas a reprodução assexuada de fêmeas é "extremamente rara entre formigas", afirmam os pesquisadores.

"Em insetos, há diferentes tipos de reprodução, mas esta espécie evolui de uma maneira própria incomum", afirma Himler.
Ela e seus colegas não sabem dizer exatamente porque este tipo de espécie se tornou totalmente assexuada e há quanto tempo isso acontece.

Eles estão fazendo mais experiências genéticas para tentar descobrir em que época esta evolução aconteceu.

Vantagens das assexuadas

Himler afirma que a vida sem sexo traz algumas vantagens para as formigas. "Ela evita o custo energético de se produzir machos e duplica o número de fêmeas reprodutivas produzidas a cada geração de 50% para 100%."

No entanto, há prejuízos também para as formigas fêmeas assexuadas, já que a reprodução sexual traz mais diversidade genética.

"Se temos mais diversidade, isso significa que somos mais resistentes a parasitas e a doenças", diz o especialista em insetos Laurent Keller, da Universidade de Lausanne, na Suíça.

"Em uma colônia de clones, se uma formiga é suscetível a um parasita, todas se tornarão suscetíveis. Então se ela é assexuada, ela tende a durar menos."

Himler começou a estudar as formigas não devido às suas características sexuais atípicas, mas sim por causa da habilidade delas de cultivar a terra.

"As formigas descobriram a agricultura muito antes de nós (humanos) - elas cultivam colônias de fungos há cerca de 80 milhões de anos", diz a bióloga.

"Elas colecionam materiais de planta, fezes de insetos e até insetos mortos do solo da floresta e alimentam suas colônias com isso."

Muitas espécies diferentes de formigas cultivam colônias de fungos para se alimentar, mas as formigas Mycocepurus smithii desenvolvem uma variedade maior de fungos.

"Quando começamos a estudar as espécies com mais atenção, nós não estávamos achando machos. Foi quando começamos a perceber que havia algo diferente."

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