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20/01/2005 - 17h00

Extinção animal na Terra pode ter sido causada por vulcões

Por Orlando J. Lizama Washington, 20 jan (EFE).- A extinção da maior parte dos animais que povoavam a Terra há 250 milhões de anos se deveu a erupções vulcânicas e não ao choque de um asteróide contra o planeta, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira.

O desaparecimento de quase 90% da vida marinha e de quase três quartos das plantas e animais terrestres ocorreu entre os períodos Pérmico e Triásico e em um momento em que só havia um supercontinente na Terra, chamado Pangéia.

Até agora não se encontrou uma prova definitiva de que o impacto do asteróide tenha sido a causa principal dessa extinção, segundo cientistas da Universidade de Washington que publicam suas descobertas no site da revista Science.

A origem da extinção animal e vegetal pode ter sido um aquecimento atmosférico causado pelos gases (que causam o efeito estufa) liberados pelas erupções vulcânicas, segundo o estudo.

"A extinção marinha e terrestre parece ter sido simultânea, segundo as provas geoquímicas que encontramos", explicou o paleontólogo da Universidade de Washington, Peter Ward, principal autor do estudo.

"Os animais e plantas, tanto na terra como no mar, estavam morrendo ao mesmo tempo e aparentemente devido às mesmas causas (...) muito calor e pouco oxigênio", acrescentou.

Segundo Ward, a pesquisa financiada pelo Instituto de Astrobiologia da Nasa, a Fundação Nacional das Ciências e a Fundação Nacional de Pesquisas da África do Sul, é um aviso do que poderia ocorrer a longo prazo com o aquecimento global.

O estudo se centrou na bacia sul-africana de Karoo e os dados foram comparados com estudos feitos na China, onde se vinculou a extinção marinha com o fim do período Pérmico.

As evidências do desaparecimento dos organismos marítimos na China é "preocupantemente similar" ao que os cientistas encontraram na bacia de Karoo, explicou Ward.

Os cientistas indicam no estudo que não encontraram nada em Karoo que indicasse um incidente como o choque de um asteróide quando ocorreu a extinção.

Por outro lado, o que se achou em Karoo se ajusta à teoria de uma extinção em massa causada por mudanças catastróficas do ecossistema durante um período muito longo, e não a de modificações vinculadas ao impacto de um corpo extraterrestre.

O cientista afirmou que existe uma quantidade ampla de provas de que a temperatura do mundo foi muito mais alta durante um longo período devido a uma contínua atividade vulcânica em uma zona da Sibéria.

À medida em que ocorria essa atividade vulcânica, o metano que estava retido no fundo do mar se liberava aumentando na atmosfera a existência de gases causadores do efeito estufa.

Segundo Ward, as provas sugerem que as espécies começaram a desaparecer em conseqüência do aquecimento gradual e que as condições chegaram a um ponto em que muitas já não podiam sobreviver.

Paralelamente, os níveis de oxigênio atmosférico se reduziam e "se foi assim, os lugares grande e média altitude podem ter sido inabitáveis. Mais da metade do planeta teria sido inabitável e a vida só poderia existir nos pontos mais baixos", acrescentou.

O cientista indicou que atualmente, o nível normal de oxigênio na atmosfera é de cerca de 21% e que as provas indicam que no momento em que começaram a desaparecer os seres vivos da Terra o nível caiu para 16%.

"Acho que as temperaturas chegaram a um ponto crítico. Fazia mais e mais calor até o ponto em que tudo morreu. Foi o efeito de duas causas paralelas: muito calor e pouco oxigênio", concluiu.

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