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02/05/2006 - 11h14

UICN divulga lista com 16.119 espécies ameaçadas de extinção

Genebra, 2 mai (EFE).- A União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN, em inglês) denunciou hoje que o número de espécies ameaçadas de extinção chegou a 16.119, ao apresentar sua "lista vermelha" atualizada, em que incluiu o urso polar, o hipopótamo e diversas flores do Mediterrâneo.

A organização, que antecipou a divulgação da lista, prevista para quinta-feira, informou que o número total de espécies oficialmente declaradas extintas é de 784 e que há outras 65 que podem ser encontradas somente em cativeiro ou em cultivo.

Em seu relatório anterior, de 2004, apenas 15.589 espécies estavam ameaçadas de extinção, após a avaliação de 40.177 espécies (entre as 1,9 milhão que foram identificadas no mundo).

Na "lista vermelha" de 2006 estão 16.119 espécies de animais ou de plantas ameaçadas de extinção, o que, segundo os analistas da UICN, "inclui um em cada três anfíbios e 25% das árvores de coníferas do mundo, além de uma em cada oito aves e um em cada quatro mamíferos".

"A Lista Vermelha de 2006 mostra uma clara tendência: a perda de biodiversidade aumenta, não diminui", declarou o diretor-geral da organização, Achim Steiner.

Steiner alertou que essa situação tem "um grande impacto" na produtividade e na capacidade de recuperação dos ecossistemas.

Em relação ao Mediterrâneo, o relatório aponta a região como um dos 34 focos críticos de biodiversidade do planeta, com cerca de 25 mil espécies de plantas, das quais 60% não são encontradas em qualquer outro lugar do mundo.

Nessa região, "as pressões da urbanização, o turismo em massa e a agricultura intensiva levaram à extinção um crescente número de espécies autóctones", como a borraginácea Anchusa crispa e a centáurea Femeniasia balearica.

Os analistas afirmam que a primeira existe em apenas 20 lugares pequenos no mundo, e que restam apenas 2.200 exemplares da segunda.

Entre os animais, o urso polar (Ursus maritimus) "será uma das vítimas mais notórias do aquecimento global", já que esse fenômeno está sendo percebido nas regiões polares, "onde se prevê que o gelo marinho de verão se reduzirá entre 50% e 100% nos próximos 50 a 100 anos".

A previsão do organismo é que a população de ursos polares sofrerá um redução de 30% nos próximos 45 anos.

A UICN também afirma em seu relatório que, embora desertos e zonas áridas do planeta pareçam "estar relativamente intactos, seus animais e plantas especialmente adaptados também estão entre as espécies mais raras e ameaçadas".

A principal ameaça à vida silvestre dos desertos é a caça ilegal, seguida da degradação do habitat.

Entre os animais em risco de extinção está a gazela dama (Gazella dama) do Saara, cuja população diminuiu 80% nos últimos 10 anos por causa da caça não controlada, assim como os antílopes asiáticos.

A edição de 2006 da "lista vermelha" de espécies ameaçadas incluiu a primeira avaliação regional integral de alguns grupos marítimos, como tubarões e raias, particularmente suscetíveis à pesca excessiva e que estão desaparecendo no mundo todo a um ritmo "sem precedentes".

"Está sendo comprovado que as espécies marinhas estão tão expostas ao risco de extinção quanto as espécies terrestres; a situação desesperada de muitos tubarões e raias é somente a ponta do iceberg", afirmou o analista da UICN, Craig Hilton-Taylor.

A organização acrescentou que a situação das espécies de água doce não é muito melhor e que 56% dos 252 peixes de água doce endêmicos do Mediterrâneo estão ameaçados de extinção.

A UICN lembrou que, além de ser uma importante fonte de alimentação, os ecossistemas de água doce são essenciais para obter água potável e para o saneamento.

Na África, um dos animais mais vulneráveis é o hipopótamo comum.

Na República Democrática do Congo a população desta espécie diminuiu em 95%, devido à caça não regular para obter sua carne e o marfim de seus dentes.

A União Mundial para a Conservação da Natureza, criada em 1948, é uma associação que reúne 81 Estados, 113 agências governamentais, mais de 850 organizações não-governamentais e cerca de dez mil especialistas e analistas de mais de 180 países.

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