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21/08/2006 - 13h47

Rebeldes ugandenses darão trégua aos rinocerontes brancos

Frank Nyakairu Juba (Sudão), 21 ago (EFE).- Os rebeldes do norte de Uganda ainda não chegaram a um acordo com o Governo sobre uma trégua, mas ao menos uma vítima imprevista do conflito estará a salvo dos combates: os rinocerontes brancos do norte.

O Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês) e uma organização ecológica internacional anunciaram hoje um acordo para proteger os últimos quatro rinocerontes brancos do norte, que habitam a região disputada pelos rebeldes.

A guerra de Uganda começou em 1987 e, apesar das várias tentativas de assinar um acordo de paz - a última iniciada em 14 de julho em Juba, no sul do Sudão - ,por enquanto não há previsão para o fim do conflito.

Representantes do LRA e do grupo ecológico "Earth Organization" anunciaram hoje em Juba que a partir de agora haverá uma trégua para espécies em perigo de extinção, como os rinocerontes brancos que vivem no Parque Nacional de Garamba.

O parque fica situado no noroeste da República Democrática do Congo (RDC), perto da fronteira com Uganda. É uma área onde o LRA concentrou suas bases de retaguarda e aonde os soldados congoleses raramente chegam.

O fundador do grupo ecológico, Lawrence Anthony, passou dois dias negociando uma trégua para os rinocerontes brancos com os representantes rebeldes e assim surgiu o acordo que beneficia o animal, cujo nome científico é Ceratotherium simum cottoni.

"São os grandes mamíferos com maior risco de extinção do planeta", disse Anthony, que ficou famoso em 2003 por resgatar os animais de um zoológico de Bagdá durante a ofensiva das tropas americanas no Iraque. "Se perdermos estes rinocerontes, será o maior mamífero extinto desde o mamute", acrescentou.

Existe apenas esta subespécie de rinoceronte no parque de Garamba, que é uma das duas de rinoceronte branco existentes - a outra é o rinoceronte branco do sul. Ambas estão em perigo de extinção devido à caça indiscriminada.

Segundo a organização ecológica, nos últimos 22 meses a população de rinocerontes brancos do norte que havia no parque de Garamba passou de 30 indivíduos para os últimos quatro que serão protegidos com a trégua.

Há uma dezena de rinocerontes brancos do norte vivendo em cativeiro em vários países, mas o parque de Garamba é seu único habitat natural. "A vida destes últimos quatro rinocerontes está nas mãos do LRA", ressaltou Anthony.

Algo perigoso caso se considere que o LRA é um dos grupos rebeldes mais cruéis da África, que costuma mutilar muitas de suas vítimas e que seqüestrou mais de dez mil menores para transformá-los em combatentes e escravos sexuais de seus comandantes.

Anthony disse que os rebeldes aceitaram se transformar em guardas-florestais para proteger não apenas os rinocerontes brancos, mas também uma espécie de girafa e uma de ocapi, outras que estão em risco de extinção.

O compromisso com o grupo ecológico foi confirmado pelo líder máximo do LRA, Joseph Kony, que está em Garamba e é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, para ser processado por crimes de guerra e contra a humanidade.

Os rebeldes divulgaram um comunicado no qual confirmam o acordo e prometem não atacar os guardas-florestais do parque.

Doze destes guardas morreram em ataques do LRA, que também matou, em janeiro, oito capacetes azuis guatemaltecos que participaram de uma ação ofensiva para tentar tirar os rebeldes ugandenses do parque.

"Prometemos uma cooperação plena com os guardas-florestais de Garamba que estiverem devidamente identificados e que não nos atacarem", diz o comunicado dos rebeldes.

O LRA sustenta que esta medida é uma "extensão" da trégua que os rebeldes declararam unilateralmente e que não foi correspondida pelo Governo porque, segundo porta-vozes oficiais, o que deve ser buscado é um armistício que surja dos acordos de paz.

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