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04/10/2006 - 13h49

Despejos de águas não tratadas são graves ameaças para oceanos

Nairóbi, 4 out (EFE).- O despejo de águas não tratadas nos oceanos constitui um dos maiores problemas que ameaçam os ecossistemas marinhos, que nos últimos anos registraram uma diminuição da contaminação por petróleo e seus derivados, segundo relatório das Nações Unidas divulgado hoje em Nairóbi.

Mais da metade das águas que chegam ao Mediterrâneo estão sem tratamento, enquanto na América Latina e no Caribe o número se aproxima de 85%, segundo o relatório "O estado do meio ambiente marinho", elaborado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), com sede na capital queniana.

A contaminação, relacionada ao aumento das povoações litorâneas e à falta de infra-estrutura para o tratamento adequado dos resíduos, é "possivelmente o problema mais sério e a área em que menos se avançou", diz o documento.

"Calcula-se que 80% da poluição marinha tenha origem em terra, e este número poderia aumentar significativamente até 2050 se, como se prevê, as povoações litorâneas se duplicarem em 40 anos e a luta contra a contaminação não for acelerada", afirma o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner.

As previsões do relatório indicam que a média populacional no litoral aumentará de 77 pessoas por quilômetro quadrado, registrada em 1990, para 115, em 2025.

Outro problema inquietante é a alteração do movimento dos sedimentos marítimos, que procedem naturalmente dos rios, mas cujo fluxo está sendo retido ou alterado pela construção de açudes, pelos sistemas de irrigação em grande escala, pela urbanização e pela perda de massa florestal.

Algumas áreas litorâneas, que antes eram alimentadas regularmente pelos sedimentos fluviais, estão se reduzindo porque estes ficam presos em represas.

O relatório afirma que o fluxo de partículas de terra no rio Ebro foi reduzido em 95% e que a quantidade de água que desemboca no Mediterrâneo diminuiu 50% como resultado da construção de represas.

O estudo ressalta, no entanto, que foram constatados avanços em outras áreas, como a poluição por petróleo e seus derivados, que diminuiu em dois terços em relação à década de 1980.

"Os despejos totais ficaram em 37% do nível de 1985", afirma o relatório, acrescentando que os vazamentos acidentais de navios petroleiros diminuíram 75% e os derramamentos municipais e industriais de óleos e petróleo foram reduzidos em 90%.

A situação também melhorou em relação aos Poluentes Orgânicos Persistentes, substâncias químicas não biodegradáveis que se acumulam nos organismos vivos através da cadeia alimentar e são um risco para a saúde humana, comprometendo ainda o meio ambiente.

Doze tipos de Poluentes Orgânicos Persistentes são regulados pela Convenção de Estocolmo, que entrou em vigor em maio de 2004, inclusive o DDT, cujo nível - como o de outros inseticidas - está diminuindo de forma geral no meio marinho da América do Sul, enquanto no mar Báltico essa redução chegou a 50%.

De acordo com o Pnuma, o progresso em relação aos metais pesados é "médio", já que, apesar de a maioria dos países desenvolvidos ter introduzido controles, "novas quantidades de substâncias, como mercúrio, estão entrando no meio marinho procedentes de economias emergentes".

A mineração, a indústria e a queima de combustíveis fósseis para o transporte e a geração de energia são as principais fontes de contaminação, segundo o relatório, que aponta que, "em algumas áreas do Ártico, as concentrações de mercúrio em focas e baleias são de duas a quatro vezes superiores às registradas há 25 anos".

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