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20/12/2006 - 10h09

Ilha de Bornéu é refúgio de centenas de espécies desconhecidas

Mar Gonzalo Genebra, 20 dez (EFE).- Nas florestas da ilha de Bornéu, os cientistas descobrem por mês uma média de três tipos de animais ou vegetais desconhecidos até agora e, só no último ano, 52 novas espécies foram encontradas.

Cientistas da ONG ecológica WWF informaram hoje que, nos últimos doze meses, descobriram na terceira maior ilha do mundo 30 tipos de peixes desconhecidos, dois de rãs arbóreas, 16 diferentes variedades de gengibre, três espécies de árvores e uma planta de folhas grandes nunca vista.

Essas espécies se somarão às 361 identificadas entre 1994 e 2004, em uma extensão pouco maior do que o dobro da Alemanha. Segundo os dados da organização, durante os últimos 25 anos foram detectados 422 tipos de plantas desconhecidas.

Entre as novas espécies animais, estão 260 insetos, 30 peixes de água doce, 7 rãs, 6 lagartos, 5 caranguejos, 2 serpentes e um sapo e, segundo a WWF, ainda há milhares de novos tipos de animais e plantas desconhecidos na ilha - onde Malásia, Indonésia e Brunei têm territórios.

De fato, a organização internacional considera a ilha "um dos centros de biodiversidade mais importantes do mundo", e afirma que ela deve ser protegida da ameaça cada vez maior dos "grandes desmatamentos para a produção de borracha, óleo de palma e celulose".

Segundo informações do último ano, a ilha abriga um peixe de menos de um centímetro de comprimento, que vive nas águas ácidas e negras dos lodaçais de Bornéu e que, até o momento, é o segundo menor vertebrado conhecido.

A WWF também encontrou seis novas espécies de peixes lutadores siameses (típicos dos aquários), uma das quais tem cor azul-esverdeada fluorescente; assim como um peixe gato de dentes protuberantes e ventre adesivo com o qual, literalmente, fica colado às pedras. Os pesquisadores também encontraram uma rã arbórea de olhos verdes e brilhantes.

Quanto às plantas, as novas variedades de gengibre descobertas mais do que duplicam o número de espécies desse vegetal conhecidas até agora, e há três novas espécies de árvores do gênero "beilschmiedia".

Grande parte dessas novas espécies foi descoberta no "Coração de Bornéu", uma região montanhosa de 220 mil quilômetros quadrados coberta de floresta úmida equatorial, situada no centro da ilha.

O coordenador internacional do programa da WWF sobre o Coração de Bornéu, Stuart Chapman, diz que, "quanto mais exploramos essa área, mais encontraremos", mas lamentou o rápido ritmo de desaparecimento dessa "mina ecológica".

De fato, segundo a organização, desde 1996 o desmatamento na Indonésia avançou, em média, 2 milhões de hectares por ano, e resta apenas metade da vegetação original de Bornéu.

Para o representante da WWF, "a remota e inacessível floresta do 'Coração de Bornéu' é uma das últimas fronteiras da ciência, onde continuarão sendo descobertas inúmeras espécies desconhecidas".

A organização afirma que ali foram encontradas plantas que podem ajudar no tratamento ou na cura de doenças como câncer, aids e malária. É o caso da "Aglaia leptantha", que contém uma "promissora" substância que, em testes de laboratório, mostrou ser capaz de matar até vinte tipos de células cancerígenas, entre elas as que causam câncer cerebral e de mama.

Os cientistas também encontraram uma substância química, o calanolide A, produzida por uma árvore da ilha, o Callophyllum, que impede a multiplicação do vírus HIV.

Além disso, a substância mata a bactéria que provoca a tuberculose, o que ajuda a combater ao mesmo tempo duas doenças que freqüentemente afetam simultaneamente o paciente.

Outra grande descoberta médica ocorrida em Bornéu é a de uma substância encontrada na casca de uma árvore tradicionalmente usada pelos aborígines para combater a malária, e que mostrou ser muito eficiente.

Em reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas que aconteceu em março, em Curitiba, os três Governos que repartem a ilha comprometeram-se oficialmente com uma iniciativa para a conservação e a gestão sustentável do "Coração de Bornéu".

A WWF espera que seja concluída o mais rapidamente possível uma declaração conjunta formal, que coloque Bornéu - um dos dois únicos lugares do mundo (junto com Sumatra) onde coexistem orangotangos, rinocerontes e elefantes - entre as prioridades mundiais de conservação.

Hospedagem: UOL Host