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04/07/2007 - 13h13

ONU reúne grandes empresas para falar de direitos humanos e meio ambiente

Genebra, 4 jul (EFE) - Mais de 800 diretores de algumas das maiores companhias do mundo se reúnem a partir de quinta-feira em Genebra para discutir como melhorar, a partir do âmbito empresarial, o respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, em uma cúpula que será o ato da ONU com maior participação privada da história.

Os representantes participarão do Pacto Global ou Global Compact, iniciativa lançada há sete anos pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan a 50 companhias conscientes da responsabilidade que o setor privado tem na promoção de princípios éticos, sociais e ambientais - o que é conhecido como "responsabilidade social corporativa".

Atualmente, o Pacto Global é formado por mais de 3 mil empresas de 116 países, das quais cerca de 55% são grandes companhias (com mais de 250 trabalhadores).

As companhias que aderiram voluntariamente ao pacto (entre elas mais de mil ibero-americanas) aceitam cumprir dez princípios básicos, como a proteção dos direitos humanos, o reconhecimento do direito dos trabalhadores a se organizarem e a luta contra a corrupção.

A segunda cúpula trienal do Pacto Global (a primeira foi em Nova York, em 2004) durará dois dias e contará com a participação de cerca de mil pessoas, principalmente diretores, mas também presidentes e ministros de vários países, assim como representantes da sociedade civil.

As reuniões serão principalmente a portas fechadas.

Entre os participantes do âmbito empresarial confirmados estão os presidentes, executivos-chefes e altos diretores de Petrobras, Coca-Cola, Repsol YPF, BBVA, Novartis, Goldman Sachs, ISO, Nestlé, Endesa, McKinsey & Company, Ferrovial, Lafarge, Total, Neimeth, Lego e Deutsche Post, entre outras.

Na véspera da abertura do evento, várias ONGs criticaram o caráter voluntário da iniciativa e seu pouco poder para forçar as empresas a "se comportarem eticamente com o meio ambiente e com o ser humano", disse Oliver Classen, da Declaração de Berna, órgão que reúne organizações de saúde e humanitárias com atividade na Suíça.

Audrey Gaughran, da Anistia Internacional (AI), concordou com Classen em que o grande ponto fraco do pacto é que é voluntário e não prevê sanções contra quem não o respeitar.

Do Greenpeace, Daniel Mittler disse que não cabe às ONGs vigiar o comportamento ético das empresas e pediu à ONU e ao secretário-geral, Ban Ki-moon, que reforcem os mecanismos internacionais disponíveis para controlar o respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente por parte das empresas.

O responsável do setor de comércio da ActionAid, Aftab Alam Khan, afirmou hoje em Genebra que o Pacto Global, "a porta-bandeira da ONU sobre responsabilidade corporativa", é incapaz de "deter as violações dos direitos humanos por parte das empresas".

Khan citou algumas companhias que, segundo seus dados, cometem estes crimes apesar de fazerem parte da iniciativa, como a Anglo American, a Arriva e a Novartis.

Na cúpula, que será aberta por Ban, será apresentada uma plataforma para impulsionar a luta contra a mudança climática nas empresas, tanto em nível individual como corporativo, e para frisar a urgente necessidade de todas as companhias, Governos e cidadãos combaterem este problema.

No evento será proposto ainda um plano para promover um uso mais responsável e eficaz dos recursos hídricos, assim como sua reutilização para garantir o desenvolvimento sustentável.

Também serão apresentados os Princípios para a Gestão Responsável da Educação, com os quais se quer fomentar o papel dos centros designados como Administração e Direção de Empresas como promotores do respeito aos direitos humanos e dos trabalhadores, da proteção do meio ambiente e contra a corrupção.

Hospedagem: UOL Host