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23/07/2007 - 08h45

Pequim não publicará "PIB verde" devido a divergências administrativas

Pequim, 23 jul (EFE).- Pequim não divulgará os dados sobre seu "PIB verde", que tenta identificar como a degradação ambiental afeta o crescimento econômico, devido a divergências entre diversos órgãos do Governo, informou hoje o independente "South China Morning Post".

Segundo a agência ambiental holandesa, a China se tornou em 2006 o principal emissor de dióxido de carbono do mundo, superando os Estados Unidos, o que não foi confirmado por Pequim devido à falta de dados sobre seu "PIB verde".

As divergências internas entre a administração ambiental e as autoridades de planejamento e estatística fazem com que seja praticamente impossível concretizar o projeto do "PIB verde", informou Wang Jinnan, um engenheiro da Academia Chinesa de Planejamento Ambiental.

Wang, diretor da equipe responsável pelo cálculo dos dados, também atribuiu a situação à resistência das autoridades locais, que só pensam em um crescimento econômico a todo custo, sem se preocupar com o meio ambiente.

"A publicação dos últimos dados (de 2005) será adiada por tempo indeterminado", afirmou Wang, que acrescentou que isso se deve "principalmente às divergências entre os departamentos do meio ambiente e estatística sobre que números devem ser divulgados e de que forma".

O diretor disse que, se os dados do "PIB verde" não forem publicados, estudos futuros sobre este índice podem ser afetados. A equipe de Wang sofre o risco de ser dissolvida.

No entanto, a decisão final sobre o destino do "PIB verde" está nas mãos do Conselho de Estado (Executivo), segundo a Agência Estatal de Proteção Ambiental.

O relatório relativo a 2004 indicava que a degradação do meio ambiente custou ao país 3,05% do PIB.

O chefe do Escritório Nacional de Estatísticas, Xie Fuzhan, reconheceu que as divergências vão desde a viabilidade do projeto até os detalhes técnicos, como a metodologia, e rejeitou o uso do nome "PIB verde", argumentando que é um termo pouco usado no mundo e que nenhum outro país calcula tais dados.

Segundo Wang, os cálculos do "PIB verde" ainda são um tema bastante sensível para as autoridades locais, embora o fato de que o projeto seja tão criticado no país "demonstre sua utilidade e ressalte como é difícil promover um crescimento verde".

Vários Governos regionais estão investindo em setores de alto consumo energético, ignorando os pedidos do Executivo central de economizar energia e reduzir as emissões de dióxido de carbono, segundo dados da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, principal órgão de planejamento, citado hoje pelo "China Daily".

Este fracasso em atingir as metas impostas por Pequim pode "indiretamente dificultar a harmonia social", de acordo com fontes da comissão nacional.

Segundo o jornal oficial, alguns Governos locais deram tratamento preferencial às indústrias do aço, cimento e outras de grande consumo energético e muito poluentes para promover o crescimento econômico de sua região, apesar dos avisos do Executivo central.

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