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07/11/2007 - 11h53

Europeus dizem que China pode reduzir emissões pós-Kyoto

Pequim, 7 nov (Lusa) - A China poderá entrar no segundo período de cumprimento do Protocolo de Kyoto, após 2012, caso existam saídas negociáveis para que Pequim aceite metas vinculativas de redução de emissões, defenderam nesta quarta-feira eurodeputados que visitam a capital chinesa.

"Apesar de Pequim ter uma posição, a princípio, contra compromissos vinculativos, penso que poderá aceitá-los caso as negociações na Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas lhes dê hipóteses de manter os benefícios atribuídos aos países em vias de desenvolvimento", disse à Agência Lusa Anne Laperrouze, integrante da Comissão Temporária de Alterações Climáticas do Parlamento Europeu.

Como a maioria dos países em desenvolvimento, a China se opõe à imposição de metas obrigatórias de redução da emissão de gases do efeito estufa (GEE), causadores do aquecimento global, por criar obstáculos a seu crescimento econômico e à redução da pobreza. A obrigação também é considerada injusta por esses países, uma vez que as nações industrializadas são responsáveis por 70% das emissões.

Por esse motivo, a China não possui metas vinculativas de redução estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto, apesar de já ter ultrapassado os Estados Unidos como maior emissor mundial de GEE, com mais de 6 bilhões de toneladas.

A posição do gigante asiático se tornou, portanto, vital para o sucesso do combate às alterações climáticas.

Laperrouze, que falava à margem de uma entrevista coletiva, considera que uma saída para o impasse poderá ser "uma solução negociada que faça a China aceitar metas obrigatórias de redução de emissões sem perder os benefícios de ser um país em vias de desenvolvimento".

"Trata-se especificamente de permitir que a China possa continuar a receber projetos ao abrigo dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e continuar a receber transferências de tecnologia, algo vital para o governo chinês", acrescentou a eurodeputada.

Os MDL são os mecanismos de mercado do Protocolo de Kyoto que permitem aos países desenvolvidos investir em projetos de redução de emissões em nações em vias de desenvolvimento, recebendo créditos pelas emissões poupadas e compensando, assim, o seu excesso de emissões.

"Apesar de Pequim ter deixado claro a sua oposição a metas de redução obrigatórias, tivemos indicações de que poderia aceitar outros compromissos nas negociações de Bali", afirmou a eurodeputada irlandesa Barbara de Brun, fazendo referência ao encontro de mais de 80 países que vai ocorrer no próximo mês, na ilha indonésia de Bali, para o início das discussões sobre um tratado pós-Kyoto, que expira em 2012.

O eurodeputado italiano Guido Sacconi, relator da Comissão Temporária de Alterações Climáticas do Parlamento Europeu e líder da comitiva na viagem à China, também manifestou confiança nos resultados do processo que começa em Bali.

"Acredito que, durante as negociações, poderá sair uma aliança entre a China e a União Européia, até porque a China tem como objetivo estratégico doméstico reduzir emissões; e a União Européia não pretende bloquear o desenvolvimento de países como a China, mas sim evitar que se cometam os mesmos erros que cometeram os países industrializados no seu processo de desenvolvimento", afirmou Sacconi.

O parlamentar italiano admitiu, no entanto, que a questão das metas vinculativas de redução foi "o maior ponto de divergência" dos encontros que a comissão do Parlamento Europeu manteve com responsáveis políticos chineses.

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