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25/06/2008 - 18h24

Greenpeace Portugal divulga lista de peixes em extinção

Lisboa, 25 jun (Lusa) - Um grupo de ativistas do Greenpeace Portugal invadiu um supermercado em Lisboa nesta quarta-feira para distribuir aos consumidores e vendedores uma lista de peixes em risco de extinção que, segundo aconselham os ecologistas, não devem ser comercializados.

A ação foi preparada em sigilo, como é hábito da organização, tendo sido marcado um ponto de encontro com os jornalistas, que só uma hora antes foram informados do local e do tipo de ação programada.

"A escolha do supermercado foi aleatória, apenas tivemos em conta que era um dos espaços que vende quase todas as espécies de peixe que constam da lista", explicou o porta-voz do Greenpeace Portugal, Evandro Oliveira.

A chegada ao supermercado Auchan foi feita em veículos separados, para que o grupo não pudesse ser identificado pelos seguranças e responsáveis do estabelecimento comercial, tendo os ativistas entrado no supermercado sem qualquer identificação.

Às 13h10 (9h10 em Brasília), conforme combinado, vestiram os coletes do Greenpeace, começaram a distribuir os panfletos que descrevem as 15 espécies que não devem ser consumidas e conversaram com vendedores, consumidores e os responsáveis do supermercado.

"Sabe como são capturadas estas espécies? Sabe que não deviam vender salmão, pescada ou bacalhau?", perguntou a ativista Beatriz Carvalho à vendedora da banca do peixe, que respondeu saber apenas o que vem nas etiquetas e desconhecer que algumas das espécies que vende estão em risco de extinção.

Lista

Das 15 espécies que constam da lista, estão alguns dos peixes preferidos dos portugueses: bacalhau do Atlântico, atum, camarão, espadarte, linguado europeu, peixe espada branco, pescadas, raias, salmão do Atlântico e tubarões.

A resposta da vendedora é a mesma dos consumidores abordados no supermercado pelos ativistas: os únicos critérios da compra do peixe é o gosto e o preço.

"Não penso na procedência, é verdade. Mas acho bem alertarem-nos para isto. Vou ler com atenção o folheto e ter mais atenção no futuro", disse Cristina Sampaio, que se deslocava à banca do peixe para fazer as compras da semana.

O grupo de dez ativistas, a que se juntaram redatores, fotógrafos e os cinegrafistas, foi rapidamente identificado pelos seguranças do supermercado que, num primeiro momento, tentaram impedir o registro de imagens, alegando necessitar de autorização.

No entanto, o gerente do supermercado, Carlos Fluza, acabou autorizando a gravação e mostrou abertura para conversar com os ativistas, embora demonstrasse que gostaria de ser avisado antecipadamente de ações do gênero.

"Diga-me então que espécies vendemos aqui que estão em vias de extinção?", questionou Carlos Fluza, mostrando interesse pela informação prestada pelos ativistas.

Ações

O Greenpeace enviou em maio questionários aos grandes supermercados solicitando informação sobre o peixe vendido, principalmente as políticas de compra e comercialização, incluindo o tipo de dados disponibilizados aos consumidores sobre as capturas.

"Até hoje ninguém nos respondeu", afirmou Evandro Oliveira, revelando que a organização vai insistir nessa resposta e ameaça "agravar as ações" se os supermercados forem resistentes ao diálogo.

Apesar disso, Oliveira diz ter ficado "muito surpreendido" com a abertura dos responsáveis do supermercado, das vendedoras do peixe e até dos consumidores. "Esta ação já foi feita em outros países pelo Greenpeace, mas aqui correu muito bem. Fiquei muito surpreendido". disse.

Espécies em risco

Os peixes que constam da lista têm sérios riscos de serem provenientes de pescas ou viveiros insustentáveis, segundo o Greenpeace, que diz ter sido feita uma pesquisa pelos cientistas da organização.

O bacalhau do Atlântico entrou na tabela devido à situação de sobrepesca e ainda à pesca com redes de arrasto de profundidade, que tem grande impacto no fundo do mar.

Quanto ao camarão, a organização diz que por cada quilo capturado pelo menos 10 quilos de outras espécies são atiradas ao mar mortas ou moribundas, incluindo tartarugas em risco de extinção.

"Os supermercados têm o poder de gerar a procura de peixe sustentável e de mudar a oferta aos consumidores. Só desta forma podemos garantir que os oceanos não são destruídos e que vamos ter peixe nas próximas gerações", afirmou a ativista Beatriz Carvalho.

Hospedagem: UOL Host