UOL BichosUOL Bichos
UOL BUSCA
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

01/11/2002 - 17h42

Comércio de marfim ameaça "nova" espécie de elefantes

da Reuters, em Santiago

Uma tímida variedade de elefantes encontrada em florestas equatoriais e só recentemente reconhecida como uma nova espécie corre risco de extinção por causa da retomada do comércio do marfim, reivindicada por alguns países africanos, segundo uma especialista.

A Convenção da ONU sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas vai decidir entre 3 e 15 de novembro, em uma reunião no Chile, se deve ou não relaxar a proibição da venda de marfim (extraído das presas dos elefantes).

A venda de marfim foi proibida mundialmente em 1989, mas atenuada em 1997, com a autorização para um leilão dos estoques. Agora, África do Sul, Zimbábue, Zâmbia, Namíbia e Botsuana dizem que suas manadas de elefantes estão aumentando outra vez, o que justificaria a retomada do comércio.

Mas a especialista em elefantes Kate Payne, da Universidade Cornell, em Nova York, afirma que o comércio de marfim ameaçaria o desconfiado elefante das florestas africanas, mesmo que seu habitat fique muito longe das savanas do sul do continente.

"Eles são vulneráveis a qualquer situação e podem desaparecer totalmente. Poderemos perder toda uma espécie se o comércio for retomado em uma parte completamente diferente da África", afirmou Payne, a cientista que na década de 1980 descobriu que os elefantes "conversam" por meio de sons de baixa frequência, imperceptíveis aos humanos.

Ela acha que mesmo o comércio limitado de marfim no sul da África incentivaria os caçadores a penetrar nas florestas em busca desses animais, que têm as presas mais retas, mais pesadas e maiores, e portanto mais valiosas.

"Uma vez que o mercado internacional exista, o incentivo para a caça é maior, e tal incentivo é ainda maior em países onde a fiscalização é mais fraca", afirmou Payne. Seria o caso, por exemplo, da República Centro-Africana, da Costa do Marfim e do Congo, países caracterizados pela violência política e por governos fracos, onde vive a maioria dos elefantes da floresta.

Até o ano passado, os biólogos consideravam que todos os 600 mil elefantes africanos pertenciam à mesma espécie. Mas uma pesquisa mostrou que há 2,6 milhões de anos os animais das savanas começaram a se diferenciar geneticamente dos que vivem nas florestas mais ao norte.

Pouco se sabe sobre os cerca de 200 mil elefantes das florestas, por causa de sua timidez e de viverem em locais remotos. Payne disse que um cientista que passou dez anos pesquisando-os só os viu três vezes.

Payne vai apresentar vídeos e gravações de áudio na reunião do Chile para tentar convencer os delegados a proteger os elefantes, que segundo ela são animais com grande apego à família e à comunidade. Em uma das imagens que ela vai mostrar, mais de cem elefantes "velam" um filhote morto, e um deles tenta levantar o animal 57 vezes.

Hospedagem: UOL Host