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23/06/2003 - 17h37

Mais nova ave da fauna brasileira tem risco de extinção

RECIFE (Reuters) - A mais nova ave da fauna brasileira já corre risco de extinção. Trata-se do caburé-de-Pernambuco, um tipo de coruja identificada que vive na Mata Atlântica do Estado, cuja existência foi oficializada no início do mês pela Conservation International do Brasil.

"Se não for preservado o habitat do Glaucidium moorerum (nome científico da corujinha) a espécie pode desaparecer nos próximos anos", advertiu a repórteres nesta segunda-feira o vice-presidente da organização, José Maria Cardoso. Ele é um dos autores do artigo que oficializou a descoberta e que foi publicado no começo de junho pela Revista Brasileira de Ornitologia.

O caburé-de-Pernambuco tem cerca de 15 centímetros de comprimento e foi confundido, nos últimos 20 anos, com uma ave semelhante originária da Amazônia, o Glaucidium hardyi. "Mas quando passamos a estudar com mais detalhamento, vimos que há várias diferenças na plumagem e tamanho, o que justifica considerá-la uma nova espécie", explicou o especialista.

Até agora a corujinha só foi observada na mata da Usina Trapiche e na reserva ecológica de Saltinho, que faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, ambas na Zona da Mata Sul de Pernambuco.

As pesquisas para confirmar a novo tipo de ave basearam-se em um espécime coletado nos anos 1990 por um professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco. Segundo Cardoso, também foi possível gravar sua voz. "No caso das corujas, este é um item fundamental para identificação da espécie", esclareceu ele.

O material sonoro foi analisado no Laboratório da Voz de Aves da Universidade Federal do Rio de Janeiro e decisivo para distinguir o caburé-de-Pernambuco de seu parente amazônico. De acordo com o ornitólogo, várias comparações foram feitas com outros tipos de coruja, em coleções no Brasil e no exterior, até a conclusão positiva da pesquisa.

Cardoso informou que descoberta do caburé-de-Pernambuco demorou em função da dificuldade de se localizá-lo no ambiente natural. A corujinha tem plumagem marrom, o que a esconde nos locais onde vive, na parte mais alta da floresta, sobre a copa das árvores.

Também a reduzida quantidade de exemplares dificultou o trabalho. A estimativa é que existam em torno de 50 exemplares adultos. "Com todas essas dificuldades, ainda não conseguimos fotografar o animal no seu habitat", contou.

Essas peculiaridades já colocam a pequena coruja pernambucana na categoria dos animais ameaçados de extinção. "Apesar do desmatamento e da falta de cuidado com a Mata Atlântica, a nova ave mostra que ainda restam descobertas no ecossistema. É importante trabalhar pela floresta e em um sistema de unidades de conservação para garantir a existência dessas espécies", concluiu o especialista.

(Por Fabíola Girardin, especial para a Reuters)

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