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17/02/2004 - 22h07

Equador enfrenta tráfico ilegal de animais e plantas

Por Brenda Sempertegui

QUITO, Equador (Reuters) - As espécies exóticas de orquídeas, papagaios e macacos encontradas no Equador fizeram desse pequeno e montanhoso país um local famoso entre defensores do meio ambiente e amantes do turismo ecológico.

Mas a natureza exuberante do país também o colocou na lista de locais aplacados pelo comércio ilegal de animais e plantas.

No ano passado, as autoridades apreenderam 1.521 animais e plantas no Equador, segundo membros do Green Surveillance, um grupo de controle formado por entidades de defesa do meio ambiente e pelo governo.

Mais de 25 mil barbatanas de tubarão e de pepinos do mar, considerados um afrodisíaco e uma iguaria gastronômica na Ásia, foram tirados das ilhas Galápagos, território equatoriano.

"Esse é um pequeno país, com boas estradas, poucos mecanismos de controle, muita corrupção e uma tremenda diversidade de vida selvagem. É, portanto, um país que chama a atenção dos traficantes", disse Bernado Ortiz, diretor de um programa internacional de monitoramento chamado Tráfico na América do Sul.

Na América Latina, países maiores como o Brasil, a Colômbia e o Peru deparam-se com um volume mais significativo de tráfico de animais e vegetais do que o Equador. Mas o tamanho desse último faz da atividade algo muito mais impactante, segundo os ecologistas.

"É o tamanho do país que o torna tão vulnerável. O impacto do tráfico acaba com as populações (de animais e vegetais) de forma muito mais rápida do que no Brasil ou na Colômbia, que são maiores", afirmou Ortiz.

TUBARÕES, PEPINOS DO MAR E ORQUÍDEAS

Um dos maiores problemas enfrentados pelo Equador é o tráfico ilegal de barbatanas de tubarão nas ilhas Galápagos, localizadas a 1.000 quilômetros da costa, no Oceano Pacífico. As ilhas ficaram mundialmente conhecidas por abrigarem espécies únicas de animais e vegetais.

No ano passado, as autoridades apreenderam 5.343 barbatanas, tiradas de, estima-se, 1.235 tubarões, na região das ilhas, e 23.846 pepinos do mar, segundo o Parque Nacional Galápagos.

Os pepinos do mar são criaturas espinhentas semelhantes à estrela-do-mar. Os pepinos vivem nas rochas oceânicas e ajudam a reciclar os nutrientes, devolvendo-os à cadeia alimentar.

No leste da Amazônia e nos Andes, entre as espécies mais ameaçadas há macacos, papagaios, cobras e orquídeas.

Quase 3.000 tipos de orquídeas podem ser encontrados no Equador e 43 por cento deles são originários dali. Os colecionadores dispõem-se a pagar até 10 mil dólares por uma flor que está ameaçada de extinção e entre 300 e 500 dólares por uma variedade mais comum.

"Os preços pagos no exterior são impressionantes: 2.000, 500, 5.000 dólares. Aqui, os compradores pagam apenas 15 ou 20 dólares, o que faz desse um grande negócio", afirmou Miguel Vasquez, do grupo Ecociencia.

Quase 94 por cento das plantas levadas para fora do Equador ilegalmente são orquídeas.

NECESSIDADE DE CONTROLES

Os ambientalistas dizem que o país precisa de uma lei para regulamentar o transporte de espécies a fim de diminuir o tráfico.

Muitos argumentam que a conservação não traria benefícios apenas para a natureza, mas poderia se traduzir em lucros.

O Equador poderia criar uma lei para determinar que tipo de comércio deve ser permitido e quais espécies poderiam ser vendidas, excluindo obviamente as quase 200 atualmente ameaçadas, dizem defensores do meio ambiente.

O projeto também eliminaria a morte desnecessária de muitos animais e plantas. Cerca de 8 por cento das espécies traficadas acabam morrendo antes de chegar a seu destino final.

As autoridades esperam que os esforços de conservação forneçam ao Equador uma alternativa viável de investimento econômico, por meio do ecoturismo e da pesquisa científica. Atualmente, o país depende de suas exportações de petróleo.

"Essa é a esperança do Equador para o futuro", afirmou Sergio Lasso, do Ministério do Meio Ambiente do país. "Quando acabar o petróleo, tudo o que nos restará será nossa biodiversidade."

Hospedagem: UOL Host