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22/07/2004 - 17h13

Comissão alerta sobre ameaça de sonares às baleias

Por Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - O uso de sonares por militares para localizar submarinos inimigos e por empresas para encontrar reservas de gás e petróleo é responsável pelo aumento dos casos de encalhe de baleias nas praias, e ameaça as baleias jubarte em Abrolhos, disse o grupo científico da Comissão Internacional da Baleia (IWC) esta semana.

O relatório da entidade reforça as teorias de que os sonares prejudicam os mamíferos marinhos, uma hipótese questionada por militares e pelas indústrias de petróleo e gás, que usam a tecnologia para procurar novas reservas. Segundo o texto, a exploração nas proximidades do banco de corais de Abrolhos, na costa da Bahia, ameaça as jubartes, e o governo precisa fazer alguma coisa para proteger os animais do ruído.

"Há hoje evidências convincentes relacionando os sonares militares a um impacto direto, principalmente sobre as baleias-bicudas", afirmou o relatório, divulgado durante a convenção anual da IWC, que se encerrava na quinta-feira.

O documento citou exemplos de comportamentos estranhos e autodestrutivos das baleias que aparentemente são causados pelos sonares. Um deles foi o "estouro" de 200 golfinhos cabeça-de-melão em águas rasas do Havaí no mês passado, durante um exercício naval norte-americano e japonês. Um animal morreu.

Os cientistas não sabem ao certo por que os sonares fazem as baleias se perderem. Uma teoria é que o barulho atrapalhe seus sistemas de comunicação e navegação. Outra é que os sinais confundem as baleias em águas profundas, forçando-as a subir rapidamente à superfície, o que as sujeitaria a uma descompressão.

O relatório pode reforçar a posição de grupos conservacionistas norte-americanos, que ameaçam processar a Marinha por causa do excesso de uso de sonares de média frequência.

O Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) já limitou o uso pela Marinha dos EUA de novos sonares de baixa frequência capazes de percorrer longas distâncias nos oceanos, e agora visa o sonar de média frequência, mais comum.

"É a primeira vez que um grupo tão amplo e diverso (de cientistas) chega a essa conclusão", disse o advogado do NDRC Joel Reynolds. "As Marinhas do mundo fazem contorcionismos para negar qualquer conexão."

A IWC, um conselho intergovernamental com 57 países-membros que regulamenta a caça às baleias, já havia dito durante a semana que a exploração de gás e petróleo na costa pacífica da Rússia está ameaçando de extinção uma colônia de baleias-cinzenta, por causa dos sonares e da poluição.

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