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28/09/2005 - 10h32

Primeiras fotos de lula gigante mostram animal muito ativo

Por Takanori Isshiki

TÓQUIO (Reuters) - As primeiras fotos de uma lula gigante viva -- uma das criaturas mais misteriosas das profundezas marinhas -- sugerem que se trata de uma criatura mais ativa do que se pensava, disse um cientista japonês na quarta-feira.

Até agora, a única informação sobre o comportamento dessas criaturas, que medem até 18 metros, se baseava em lulas mortas ou agonizantes atiradas à praia ou capturadas por redes de pesca comercial.

Mas Tsunemi Kubodera, do Museu Nacional de Ciência, e Kyoichi Mori, da Associação Ogasawara de Observação de Baleias, ambos de Tóquio, capturaram as primeiras imagens de um "Architeuthis", atacando uma isca 900 metros abaixo da superfície das águas frias e escuras do Pacífico Norte.

"Até agora, imaginava-se que as lulas gigantes eram relativamente indolentes, que ficavam nas águas profundas sem se mexerem muito. Mas descobrimos que elas se deslocam de forma bastante ativa", disse Kubodera à Reuters.

Kubodera e Mori publicaram suas descobertas na revista Proceedings B, da Royal Society, na quarta-feira.

Kubodera se disse particularmente interessado pela forma como a lula gigante -- vista em uma série de imagens tiradas a cada 30 segundos -- enrolava sua presa nos seus longos tentáculos.

"É provavelmente quase da mesma forma como as cobras gigantes envolvem suas presas com seus corpos, o que me surpreendeu um pouco", disse Kubodera, sentado diante de um gigantesco espécime de outra lula gigante, em exibição no Museu Nacional de Ciência.

Os cientistas japoneses encontraram a lula seguindo cachalotes, os maiores predadores desses moluscos, que se reuniam para se alimentar entre setembro e dezembro nas águas profundas ao largo das ilhas Ogasawara, no Pacífico Norte.

As fotos mostraram a lula gigante lançando seus tentáculos depois que um deles ficou preso em um anzol colocado em uma isca. O animal se desvencilhou, mas parte do tentáculo branco ficou ali.

"Quando colocamos o dedo, [o tentáculo] se cravou firmemente. Ficou preso ao casco do barco, e não saiu facilmente. Ainda estava vivo", disse Kubodera.

Pouco se sabe sobre as lulas gigantes, que podem ser a base para a lenda dos "kraken", enormes monstros com tentáculos que os marinheiros diziam ter encontrado na costa da Noruega no século 18.

Apesar da surpreendente atividade fotografada, Kubodera disse que a lula gigante vive em águas profundas demais para representar uma ameaça a navegadores, como o legendário monstro marinho.

"Eles vivem em áreas de 900 e 1.000 metros de profundidade, embora à noite subam para 400 a 500 metros. É impensável que a lula gigante que fotografamos venha à superfície e arraste barcos daquele jeito", disse Kubodera, referindo-se à lenda dos "kraken".

"Mas, no oceano, ainda há muita coisa desconhecida", acrescentou.

(Reportagem adicional de Isabel Reynolds, Patricia Reaney em Londres)

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