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17/03/2006 - 18h03

Ornitólogos questionam "ressurreição" de pica-pau

Por Deborah Zabarenko

WASHINGTON (Reuters) - Uma nova análise de um precário vídeo gravado em pântanos do Arkansas lança dúvidas sobre o alardeado reaparecimento do pica-pau-bico-de-marfim, segundo artigo de quatro ornitólogos publicado na edição de sexta-feira da revista Science.

Mas outra equipe, que inclui o autor do vídeo, contestou essas dúvidas.

A polêmica é se o vídeo mostra um pica-pau-bico-de-marfim ou o pica-pau-de-penacho-vermelho, que é mais comum e tem tamanho comparável ao da espécie ameaçada, com diferenças na coloração e na forma de voar.

"Embora apoiemos os esforços para encontrar e proteger pica-paus-bico-de-marfim, o vídeo não demonstra que a espécie persiste nos Estados Unidos", disseram os autores do artigo da Science, entre os quais David Sibley, especialista em desenhar aves norte-americanas para fins científicos.

"Nenhuma das características descritas como diagnósticas do pica-pau-bico-de-marfim elimina o pica-pau-de-penacho-vermelho comum", escreveram eles, em resposta a outro artigo da Science, publicado em 2005, que anunciava a descoberta dessa ave rara, supostamente extinta desde 1944.

Os penachos-vermelhos estão presentes em grande parte dos Estados Unidos, enquanto o bico-de-marfim, mesmo antes da suposta extinção, já era tão raro a ponto de merecer o apelido de "Meu Deus" -- por ser a exclamação de quem tinha a sorte de avistá-lo.

Ornitólogos que sustentam a "ressurreição" da ave responderam na mesma edição da revista. Um dos signatários é David Luneau, que realizou o vídeo de quatro segundos com a ave. "As afirmações de que a ave no vídeo de Luneau é um pica-pau-de-penacho-vermelho comum são baseadas em interpretações erradas do padrão da parte sob a asa do penacho-vermelho, na interpretação de artefatos [distorções] do vídeo como sendo um padrão da plumagem e em modelos imprecisos sobre o comportamento de decolagem e vôo", escreveu o grupo dos defensores.

Em email à Reuters na sexta-feira, Luneau disse que seus adversários "não apresentaram um só vídeo dessa ave [o penacho-vermelho] relativamente comum fazendo o que eles descrevem". "Na verdade, estudamos muitos vídeos [de penachos-vermelhos] e vídeos de outras aves e não encontramos um só caso que confirme qualquer dessas afirmações. Acredito que a hipótese que eles descrevem seja uma impossibilidade."

Em 2004, o naturalista amador Gene Sparling disse ter visto um bico-de-marfim na bacia do rio Cache, no Arkansas.

Desde então, especialistas da Universidade Cornell e de outros lugares também relataram ter visto a ave. Há gravações de áudio do que pode ser o som dos chamados e do bater do bico do pássaro, e finalmente há o vídeo de Luneau, em que o pica-pau aparece voando.

Ao divulgar a notícia, no ano passado, a Science publicou na capa uma ilustração a cores do bico-de-marfim, e nas páginas internas uma análise que contestava seu ressurgimento.

Especialista e voluntários estão buscando intensamente novos sinais do bico-de-marfim nos pântanos do leste de Arkansas. A prova definitiva pode ser a descoberta de uma árvore usada como poleiro, na qual os cientistas poderiam colocar câmeras para flagrar os pássaros. Fragmentos de cascas de ovos ou penas também podem resolver a disputa.

Hospedagem: UOL Host