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12/12/2006 - 17h48

Primatas só devem ser usados em pesquisas quando não há alternativa, diz estudo

Da Redação
Por Patricia Reaney

LONDRES (Reuters) - Os cientistas britânicos apóiam o uso de primatas em experiências médicas, com o objetivo de reduzir as mortes causadas por doenças em seres humanos, mas só se não houver outra alternativa, disse um estudo.

Sir David Weatherall, autor de um levantamento sobre o uso de primatas nas pesquisas, disse que em alguns casos os animais são essenciais para responder dúvidas científicas, porque outros animais como camundongos e ratos são diferentes demais dos seres humanos.

"Há justificativa científica para as pesquisas com primatas não-humanos que sejam cuidadosas, meticulosas e regulamentadas, pelo menos no futuro próximo, desde que ela seja a única maneira de solucionar dúvidas científicas ou médicas importantes, e que padrões elevados de bem estar sejam preservados", disse ele numa entrevista coletiva na terça-feira.

O pesquisador ressaltou que o uso de primatas nas pesquisas deve ser avaliado caso a caso, e que outros métodos devem ser considerados, como as pesquisas celular e molecular, os modelos por computador ou o uso de animais como camundongos transgênicos.

Defensores dos direitos dos animais são contra o uso de bichos em experimentos. Cerca de 3.500 primatas, a maioria macacos, são usados na pesquisa científica britânica por ano. O número é semelhante na França, no Canadá e na Alemanha. Desde 1986 a Grã-Bretanha não usa grandes símios em pesquisas.

Do total de 3.500, cerca de 400 macacos são usados em pesquisas de base, e o restante é utilizado pela indústria farmacêutica para testar novas drogas.

Weatherall e sua equipe de cientistas, que levou um ano e meio para concluir o levantamento, disseram que os primatas fornecem informações importantes sobre drogas e vacinas contra Aids, malária e tuberculose, doenças que juntas matam cerca de 7 milhões de pessoas por ano.

A pesquisa com animais também é essencial para aumentar o conhecimento sobre as doenças de Alzheimer e Parkinson, afirmou o estudo.

"Na neurociência, ainda há justificativa, apesar dos novos avanços na visualização (do cérebro), para o uso de um pequeno número de animais", disse Weatherall.

O estudo ressaltou o bem-estar dos animais, como boas condições de vida, acesso a áreas externas, exercícios e estímulos. O documento recomendou que todas as pesquisas sejam cuidadosamente regulamentadas e que as organizações divulguem suas conclusões.

Os cientistas elogiaram o estudo, dizendo que novos tratamentos de fertilização in vitro e com remédios revolucionários já foram testados em primatas. Mas, para o Hadwen Trust, grupo que combate o uso de animais em pesquisas, o levantamento é equivocado e míope. "O relatório minimiza seriamente a importância dos métodos de pesquisa que não utilizam animais", disse Gill Langley, diretor científico da entidade.

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