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12/02/2007 - 15h47

Chips "espiarão" movimentos de animais nos oceanos

Por David Ljunggren

OTTAWA (Reuters) - Cientistas vão em breve inserir microchips em peixes e em outros mamíferos marinhos para acompanharem seus movimentos pelos oceanos do mundo e aprender como eles serão afetados por fenômenos como mudanças climáticas e pesca em excesso.

O Canadá anunciou na segunda-feira que está concedendo 45 milhões de dólares canadenses (38 milhões de dólares) para ajudar a ampliar a Rede de Monitoramento do Oceano (Ocean Tracking Network), que atualmente está promovendo dois projetos-piloto na costa oeste dos Estados Unidos e do Canadá.

Os cientistas afirmam que desde o advento da pesca industrial na década de 1950, o mundo tem visto uma queda de 90 por cento na população de grandes peixes oceânicos como atum e peixe espada.

Aprender mais sobre a vida de peixes e de seu ambiente poderá ajudar governos a assegurar a sobrevivência de espécies, afirma a equipe do projeto.

"O conhecimento que ela (rede) gerar transformará as práticas de conservação e de pesca", disse Eliot Phillipson, presidente da Fundação Canadense para Inovação, que está investindo a maior parte do dinheiro.

O objetivo é criar uma rede de 5 mil sensores nas 14 regiões oceânicas do mundo para acompanhar até 1 milhão de animais. Peixes e mamíferos maiores poderão ser acompanhados por satélite.

Os recursos canadenses foram necessários para destravar fundos de outros doadores do projeto de 160 milhões de dólares canadenses que deve durar seis anos. A rede de monitoramento será baseada na Universidade de Dalhousie, na cidade de Halifax, no Canadá.

O plano é inserir pequenos dispositivos de identificação em peixes, tubarões e outros animais. Os aparelhos enviarão sinais para a rede de sensores instalada no fundo do mar.

Os dispositivos, que variam do tamanho de uma amêndoa a uma pilha AA, fornecerão dados sobre localização do animal, temperatura da água, grau de salinidade, intensidade de luz e outras condições marinhas.

Ron O'Dor, da Universidade de Dalhousie, disse que os dispositivos de identificação poderão transferir dados entre si. Desta maneira, peixes que nadam longe do alcance dos sensores da rede poderão ter seus dados coletados por animais que estão nadando mais perto dela.

Assim que o peixe se aproxime o bastante de um sensor da rede, o dispositivo transmitirá a informação de todos os peixes marcados com os chips com os quais esteve próximo.

"Todos os peixes poderão conversar com outros e quando estiverem perto da rede enviarão um relatório de dados para um dos receptores", disse O'Dor a jornalistas.

Até recentemente, cientistas têm uma vaga idéia da distância que um peixe pode nadar.

O atum atravessa o Pacífico, o grande tubarão branco viaja da África para a Austrália e tartarugas da América Central já foram encontradas na Ilha da Páscoa.

Assim como em peixes, os dispositivos de identificação podem ser colocados em pinguins e em ursos polares.

Alguns especialistas suspeitam que padrões de migração de peixes estão mudando conforme o oceano esquenta. Salmões já foram pegos no norte do Canadá e do Alasca, longe de suas regiões usuais.

Hospedagem: UOL Host