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19/06/2007 - 10h59

Contra aviões, Greenpeace dá passagens em trens britânicos

LONDRES (Reuters) - O debate sobre o impacto da aviação no clima ficou, literalmente, mais acalorado nesta semana, quando ativistas do Greenpeace distribuíram passagens ferroviárias a usuários de aeroportos britânicos, enquanto pilotos disseram que o setor é injustamente responsabilizado pelas mudanças climáticas.

O principal alvo dos ambientalistas são as viagens aéreas domésticas, que, segundo eles, poderiam ser facilmente substituídas por trens, os quais emitem menos dióxido de carbono (CO2), o principal dos chamados gases do efeito estufa.

O Greenpeace instalou guichês na terça-feira nos aeroportos de Londres, Manchester, Newcastle e Edimburgo, onde passageiros da British Airways poderiam trocar o bilhete doméstico de volta por uma passagem ferroviária.

"Promovendo agressivamente as rotas domésticas, a British Airways está alimentando a cultura do voar descomedidamente", disse o diretor do Greenpeace John Sauven no aeroporto doméstico de Londres.

"Os aviões são 10 vezes mais nocivos ao clima do que os trens, então se não fizermos algo a respeito do crescimento da aviação, a Grã-Bretanha vai descobrir que é muito difícil cumprir suas metas globais (contra) o aquecimento global", acrescentou.

A British Airways alegou que há oito anos lidera o setor na promoção de créditos de carbono que limitem o impacto ambiental da aviação.

"Haverá um custo significativo, então ninguém pode fingir que é uma saída fácil", disse um assessor de imprensa da companhia, acrescentando que a União Européia pretende incluir a aviação no seu Esquema de Comércio de Emissões a partir de 2011.

Na véspera da promoção do Greenpeace, a Associação de Pilotos Comerciais Britânicos publicou um relatório dizendo que as viagens aéreas se tornaram o bode expiatório do aquecimento global e que os passageiros devem parar de se sentir culpados.

O relatório irritou ambientalistas por dizer que a navegação e alguns tipos de viagens ferroviárias são mais poluentes que a aviação.

O impacto ambiental da aviação já havia virado notícia na semana passada, quando o fabricante europeu de aviões Airbus propôs uma cúpula de empresas do setor, inclusive a rival norte-americana Boeing, para tentar reduzir a poluição atmosférica produzida pelos jatos.

A companhia aérea britânica de baixo custo easyJet também apresentou uma proposta para um avião para curtas distâncias, que reduziria em 50 por cento as emissões de CO2 e poderia estar operacional a partir de 2015.

Andy Harrison, presidente-chefe da empresa, disse que os vôos domésticos continuarão sendo muito procurados na Grã-Bretanha devido à falta de serviços ferroviários de alta velocidade adequados. "Se tivéssemos um trem realmente de alta velocidade para a Escócia, isso afetaria as empresas aéreas", afirmou.

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