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11/03/2009 - 16h00

PF prende mais de 70 em operação contra tráfico de animais

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira, mais de 70 suspeitos de envolvimento no comércio ilegal de 500 mil animais silvestres por ano, que eram levados ao exterior ou vendidos em feiras do Rio de Janeiro.

Entre os 72 suspeitos presos até o fim da manhã, 58 estavam no Estado do Rio de Janeiro, onde alguns animais silvestres eram comercializados em feiras livres em cidades da Baixada Fluminense, segundo a polícia. Há ainda mais 30 suspeitos sendo procurados.

"Em alguns casos é mais lucrativo (o tráfico de animais) que o tráfico de drogas", disse à Reuters por telefone o delegado Alexandre Saraiva, da delegacia de crimes contra o meio ambiente no Rio. Segundo o delegado, um ovo de arara-azul vale 3 mil euros na Europa.

A quadrilha tinha compradores para os animais capturados nos Estados Unidos, na Ásia e em vários países europeus, como Portugal, Suíça e República Tcheca, afirmou o delegado.

Seis estrangeiros estão entre os suspeitos, incluindo um tcheco que foi preso esta manhã num condomínio de luxo no Rio, de acordo com uma assessora da PF.

As investigações foram iniciadas em janeiro do ano passado e revelaram que a quadrilha chegava a comercializar 500 mil animais por ano, incluindo diversos tipos de aves, jibóias, onças-pintadas, veados-mateiros e macacos-prego.

"Normalmente, eram vendidos os animais mais raros e ameaçados de extinção, como as espécies de araras e papagaios da Amazônia", acrescentou o delegado, que coordenou uma equipe de 450 policiais para cumprir 102 mandados de prisão e 140 mandados de busca e apreensão em nove Estados.

Na maiorias dos casos, os animais eram capturados na fauna brasileira com uso de grandes redes. Durante o transporte, eles eram submetidos a maus-tratos, o que resultava num índice de mortalidade de 90 por cento para determinadas espécies.

Além do tráfico internacional, os suspeitos também vendiam os animais no país. "Um casal de onça-pintada foi negociado por 1.000 reais aqui no Brasil", disse o delegado.

A PF informou que autoridades policiais da República Tcheca, a Marinha brasileira e o Ibama contribuíram com as investigações.

(Reportagem de Pedro Fonseca)

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