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 Brasil

25/01/2008 - 10h30
No aniversário de São Paulo, relatório aponta desigualdades da metrópole

Ana Sachs
da Redação

Para marcar o aniversário de 454 anos de São Paulo, comemorado nesta sexta-feira, dia 25 de janeiro, o movimento "Nossa São Paulo: Outra Cidade" compilou 130 indicadores da cidade em um relatório de mais de mil páginas. Divididos por subprefeitura (a cidade tem 31 delas), cada indicador apresenta um ranking de "melhores e piores" que mostra, em números, o que os paulistanos vêem todos os dias: as desigualdades que compõem a capital paulista.

"A diferença entre uma região melhor e outra pior é muito grande", frisa o empresário Oded Grajew, um dos líderes o criador do movimento. Para ele, faltam em São Paulo - e no restante do Brasil - "políticas públicas baseadas em indicadores com metas que possam ser acompanhadas e cobradas pela sociedade". Segundo Grajew, o relatório, que passará a ser feito anualmente, servirá de base de informações para a população. "Pois quando há informação, a população reage", diz.

NOTA 6,7 PARA SÃO PAULO
Arquivo/Folha Imagem
Pesquisa realizada pelo o Ibope e o movimento "Nossa São Paulo: Outra Cidade" em janeiro deste ano constatou que 55% dos 1.512 entrevistados deixaria São Paulo para morar em outro lugar. A nota média dada para a cidade foi de 6,7. "O que aparece muito na pesquisa é a insatisfação da população com os serviços públicos. A maioria tem uma nota abaixo da média de 5,5", fala o empresário Oded Grajew, líder e criador do movimento.
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Entre as constatações da pesquisa, uma das mais significativas foi a de que, na maior cidade do país, há regiões inteiras sem um único leito hospitalar públicou ou privado. Nas áreas das subprefeituras de Cidade Tiradentes, Parelheiros e Perus, quem se sentir mal terá de ser deslocado para outra região para ser atendido. Nesses locais, não há leitos de hospital disponíveis.

Do outro lado da lista está a subprefeitura da Sé, onde há 18,64 leitos hospitalares públicos e privados para cada mil habitantes. No segundo e terceiro lugares estão Vila Mariana (16 leitos) e Pinheiros (12,53 leitos). A média de leitos disponíveis na da cidade de São Paulo é de 2,84 para cada mil habitantes.

Infância

Como um "microcosmo" das disparidades que marcam as diversas regiões do Brasil, São Paulo revela diferenças de até três vezes na taxa de mortalidade infantil (óbitos de menores de um ano) na comparação entre a melhor e a pior região da cidade. No topo do ranking está a subprefeitura de Pinheiros, com 6,60 óbitos para cada mil nascidos vivos. Na outra ponta fica a subprefeitura de Parelheiros, com 18,34 falecimentos para cada mil nascidos vivos.

Pinheiros lidera ainda a lista das regiões com menor índice de gravidez precoce. Entre os nascidos vivos nessa região, os filhos de mães com 17 anos ou menos são apenas 2,97%. Vila Mariana (3,95%) e Lapa (7,22%) seguem no ranking. Entre os locais onde mais há mais gravidezes precoces estão São Miguel (19,40%), Cidade Tiradentes (18,93%) e Parelheiros (18,79%). Em média, 15,87% dos bebês nascidos em São Paulo são de mães adolescentes.

Violência

As internações de crianças de 0 a 14 anos por causas relacionadas a possíveis agressões é quase cinco vezes maior na subprefeitura de Guaianases do que na de Pinheiros. Na primeira, são 337,38 internações a cada 100 mil habitantes, enquanto na segunda esse número é de 69,07. A situação também é ruim nas subprefeituras de Ermelino Matarazzo (254,29 por 100 mil) e Jaçanã/Tremembé (247,77 por 100 mil).

As mulheres entre 20 e 59 anos também sofrem mais agressões na área da subprefeituar de Guainases. São 256,62 internações por agressão a cada 100 mil habitantes. Esse número cai seis vezes na Vila Mariana: são 41,25 internações para cada 100 mil moradores.

Outro dado interessante é que moradores de Parelheiros morreram mais em acidentes de motocicletas, segundo o relatório. Foram 5,72 mortes por 100 mil habitantes, ao passo que nenhum morador de Pinheiros morreu neste tipo de acidente.

Educação

Os alunos do ensino fundamental da subprefeitura de Jabaquara têm 5,4 mais chances de abandonar os estudos do que os da Vila Mariana. A taxa de abandono da escola nessa região é de 2,43%, contra os 0,45% da Vila Mariana. Já um aluno que estuda na subprefeitura de Vila Maria/Vila Guilherme tem 3,23 mais chances de ser reprovado do que um que estuda na subprefeitura de Santo Amaro (porcentagem de repetência de 2,11%, contra 6,82%).

Os alunos do ensino médio da subprefeitura de Cidade Ademar têm taxa de 19,02% de reprovação, mais que o dobro dos 8,09% de Pinheiros. Já a taxa de abandono possui uma diferença de quase cinco vezes entre a melhor e a pior subprefeitura. Em Cidade Tiradentes, ela é de 11,79%, contra apenas 2,53% na Vila Mariana.



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