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18/03/2008 - 19h36
Eleições municipais: Soninha descarta ser vice de Alckmin ou de Kassab; veja entrevista

Da Redação
Em São Paulo

Eleições municipais 2008. O UOL dá início nesta semana à série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura de São Paulo. A primeira entrevistada foi a vereadora Soninha Francine, pré-candidata pelo PPS. Eleita pelo PT em 2004 com 50 mil votos, Soninha mudou para o PPS em setembro de 2007. A vereadora tem sido cobiçada por democratas e tucanos para ser vice da chapa de Gilberto Kassab (DEM) ou Geraldo Alckmin (PSDB). Marta Suplicy (PT) também está de olho no apoio da vereadora em um eventual segundo turno. Durante a entrevista, a pré-candidata respondeu a perguntas enviadas pelos internautas. Veja a seguir a íntegra da conversa em vídeo e em texto.



UOL- Quais vão ser suas bandeiras de campanha?
Soninha Francine - Pode parecer que estou surfando nas águas paradas da cidade, mas o eixo principal do que temos que trabalhar em São Paulo é o trânsito, o transporte e a mobilidade, porque é determinante para a saúde, o meio ambiente, a qualidade de vida, o lazer, a violência. É preciso melhorar o modo como a cidade é ocupada. Hoje você tem um número de viagens forçadas que é inadministrável. O melhor sistema de transporte do mundo não dá conta desse êxodo diário de quem precisa sair dos bairros que são quase dormitórios ou das cidades da região metropolitana para vir trabalhar na região central da cidade. As pessoas falam que a solução é mais metrô. Você tem metrô na zona leste há décadas. E a zona leste está completamente entupida, congestionada. É preciso melhorar essa distribuição de gente e de trabalho no território. Ou seja, trazer mais gente para morar na região central. Pode parecer que não tem espaço, mas quando você treina o olho, você descobre que tem espaço. Tem terreno subaproveitado, e prédio deteriorado. E criar trabalho, investir no desenvolvimento das regiões mais afastadas do centro também.

UOL - Se as pessoas morarem no centro de São Paulo, conseguimos gerar empregos e serviços, e também reduzir um pouco a violência, porque o centro fica abandonado à noite.
Soninha - Precisamos fazer esse uso mais misto da cidade. Não é bom você ter um lugar onde as pessoas só dormem, passam o dia inteiro fora, e outro lugar onde só trabalham, e à noite é deserto. Uma coisa está muito ligada à outra. Se você puder sair de casa e pegar três estações de metrô e chegar ao serviço, você tem mais tempo para tudo. Tem que trazer as pessoas mais para perto de uma estrutura. Tem escolas que fecham por falta de aluno, o que é uma aberração, enquanto falta muita vaga e temos escolas superlotadas nas periferias. Toda essa relação tem que melhorar.

UOL - Como Alckmin, Kassab e Marta - que estão de olho em você nas eleições - contribuíram para melhorar ou piorar o problema do trânsito em São Paulo?
Soninha - Na administração Alckmin, talvez por motivos técnicos e financeiros, mas certamente também por falta de uma ação política mais decisiva, o metrô avançou muito pouco. O projeto da linha 4 é muito antigo. O investimento no metrô e nos trens urbanos nos últimos anos foi muito lento. O sistema deteriorou, os carros foram ficando mais perigosos e desconfortáveis, o sistema menos previsível, mais sujeito a problemas. A Marta fez um trabalho muito bom na área de transporte. O bilhete único é uma revolução, combinado com a criação de mais corredores e terminais. O corredor, como foi implantado na gestão Marta, não é só uma pista segregada, mas uma nova filosofia de integração das linhas. Tem as linhas alimentadoras, que fazem o percurso dos bairros e trazem as pessoas para os terminais, onde existe a linha-tronco que pega o corredor e vai para o centro. Isso é possível com o bilhete único. As pessoas não vão ficar trocando de ônibus se tiver que pagar R$ 2,30 cada vez que embarcam. A combinação das duas coisas é sensacional. Mas faltaram alguns detalhes na implantação, tanto na gestão da Marta, quanto na gestão Serra-Kassab. Tem problemas para corrigir, como o corredor que não chega até o terminal, o acesso ao terminal que é muito ruim. O fura fila, que virou Expresso Tiradentes, foi uma contribuição muito boa dessa gestão do Serra e do Kassab. O principal avanço dessa gestão do Kassab é a integração chegar no metrô. Isso fez uma diferença incrível na vida das pessoas. Muito mais gente passou a usar o metrô com o bilhete único. Então, cada um tem sua contribuição. Mais a Marta e o Serra-Kassab do que o Alckmin.

UOL - Você fez muito mais elogios do que críticas. Não faltou uma ação mais enérgica de todos eles?
Soninha - Faltou. Apesar de ter feito coisas importantes também, a avaliação do transporte agora nessa administração é muito ruim, porque tem problemas sérios. Faltou racionalizar melhor as linhas, os trajetos. Hoje em dia você tem congestionamento no corredor de ônibus, tem ônibus demais. Parece que a solução para o transporte coletivo é ter mais ônibus. A solução, em alguns lugares, é ter menos ônibus, para ele ter mais partidas e andar mais rápido. Estão implantando agora o GPS, que é o modo de você controlar os ônibus, mas ainda precisa avançar muito nisso. Mas o investimento em circulação de pedestres é muito deficiente. Segundo as últimas pesquisas de origem e destino, um terço das viagens em São Paulo é feita a pé. E os pedestres são muito maltratados. Pensa na vida de um pedestre que quer ir de um lado para o outro da marginal para pegar um trem. É infernal. Muitas coisas foram deixadas de lado. A integração melhor de carros com o sistema coletivo. Você que quer ir de carro até a estação de metrô tem a maior dificuldade para parar. Política de estacionamento avançou muito pouco. As pessoas deixaram de estudar melhor mais restrições ao automóvel, que os técnicos defendem há muito tempo, e os políticos não querem nem pensar em falar, porque é impopular. Mas você está falando de um espaço que é escasso, se é escasso é caro, então, você tem que ocupar esse espaço da melhor maneira possível. O espaço público que o automóvel ocupa é irracional e injusto. É uma pessoa ocupando um espaço imenso.

UOL - O que você acha do pedágio urbano e da ampliação do rodízio?
Soninha - Primeiro tem que melhorar o transporte público e depois impor restrições ao automóvel, esse é o refrão de todo mundo. E até agora ninguém impôs restrições e não melhorou tanto assim o transporte público. E mesmo melhorando, as pessoas não querem deixar o automóvel de jeito nenhum, porque é um hábito super cristalizado. Precisa expandir o transporte sobre trilhos. Além da expansão, precisa melhorar a integração entre os vários modos de transporte pela cidade: do carro com o metrô, de um ônibus com outro, dos terminais, da bicicleta com o ônibus, dos pedestres com o ônibus, etc. Precisa racionalizar as linhas, para se fazer um uso melhor do corredores, por exemplo, e precisa melhorar a informação. Tem que ter um mapa portátil para as pessoas consultarem, ter informação no ponto de ônibus, informação pelo celular. E tem também que impor restrições ao automóvel. Uma que está todo mundo falando é diminuir estacionamento em via pública. Não tem cabimento você imobilizar uma faixa de circulação com um carro parado. Isso é bom para os ciclistas, bom para o pedestre, e melhora a circulação de ônibus e automóveis. Acho que ampliar os rodízios somente em casos de emergência, de poluição, de estado crítico. Em todos os lugares em que foi implantado o rodízio no mundo, ele bate em um limite muito rapidamente. Já o pedágio tem que ser estudado. Estamos em um sistema capitalista: não é o que eu prefiro, mas é o que temos. Espaço viário é uma coisa disputada, rara. Se você quer usar, vai ter que pagar um pouco mais por isso. Três carros com três pessoas ocupam o espaço de um ônibus com 50. Tirar o carro da rua é melhorar o transporte coletivo. Eu sou totalmente a favor de estudar a medida.

Pergunta do internauta Paulo Favareto - Soninha, qual sua experiência como gestora administrativa?
Soninha - Primeiro precisamos parar com essa idéia de que o prefeito, o governador e o presidente têm que ser um bom gerente, como se uma cidade fosse um supermercado. Administrar uma cidade é uma missão política que implica uma visão de mundo. A visão de mundo dos últimos gestores, excluindo o PT e essa última gestão, no governo do Maluf e do Pitta, era privilegiar o automóvel. Isso é uma visão política, gastar milhões em obras viárias voltadas para o automóvel. Não é só uma coisa da gestão, mas da escolha que você faz, da forma como você enxerga o mundo. É claro que eu não tenho experiência administrativa. Mas qual é o prefeito, que antes de ser prefeito, tem uma experiência administrativa comparável à de administrar uma cidade? Você não administra sozinho. Você escolhe bons gestores para cada um dos setores, nos quais você confia. Você tem uma equipe, e montar uma equipe é o mais importante.

Pergunta enviada pelo internauta Toni - Soninha, O PPS é aliado do PSDB e do DEM nacionalmente, você não acha que sua candidatura atrapalha o Kassab e o Alckmin, pois são três candidaturas liberais? Vocês não estão ajudando a candidata da esquerda ao concorrerem entre si?
Soninha - O PPS não é partido liberal coisa nenhuma. Eu estou em um partido de esquerda. Se os liberais se sentem atrapalhados pela minha candidatura é porque eu me comunico com um eleitorado com o qual eles não têm muita popularidade, como o público jovem, os cicloativistas, os ambientalistas, militantes da área de cultura e muita gente de esquerda insatisfeita e decepcionada com o PT. O PPS é oposição ao governo Lula, tem representantes na administração do Kassab, o governo estadual tem representantes do PPS também na administração. O PPS já tinha apoiado o Lula em outras candidaturas e depois rompeu com ele, também não gostou do rumo das alianças e passou para o lado do PSDB, que tem entre seus aliados os Democratas. Em São Paulo, o PPS quer se desvincular do PSDB e do PT e ter uma candidatura própria, de esquerda, sim. Não há a menor chance de compor uma chapa de vice com o Alckmin ou o Kassab. Eu e o PPS estamos descartando tanto a coligação com os Democratas, quanto com o PSDB. Queremos poder dizer o que a Marta fez de legal, o gestão da Serra e do Kassab fez isso de bom, mas, politicamente, temos um outro alinhamento, inclusive essa independência de não precisar ficar sempre atirando no outro lado. Dessa independência o PPS não abre mão agora.

Pergunta enviada pelo internauta Eduardo - Soninha, você promete cumprir os quatro anos se for eleita prefeita de São Paulo?
Soninha - Eu já não queria mais disputar eleição nenhuma, desde a primeira. Campanha é uma coisa tão sofrida, tão difícil, tão cansativa. Eu me elegi vereadora para cumprir os quatro anos, e não para fazer carreira no parlamento. Mas dali a dois anos as coisas estavam tão horríveis na política, desalentadoras, inclusive no meu partido, que era o PT, que eu quis ser candidata a deputada federal. Fui candidata, apanhei pra caramba na campanha, por ser do PT, e tive uma votação pior do que tive para vereadora. E se tem uma coisa que eu não deveria ter feito é me candidatar a deputada, porque eu não queria tanto assim. Voltei para a Câmara decidida a não me candidatar a mais nada, até porque eu já tinha certeza que ia sair do PT para não entrar em partido nenhum. Todos tendem a se fechar em si mesmos e a tratar todos os outros como inimigos. Eu não via esperança de entrar em um partido que não entrasse nessa onda. E aí veio o convite do PPS, que me convenceu de que queria exatamente isso que eu estava querendo e a possibilidade de ser candidata a prefeita. Eu continuo não querendo fazer mais nada. Nunca tive vontade de ser governadora e nem daqui a 20 anos estar disputando a presidência. Eu tenho vontade de ser prefeita de São Paulo, porque isso eu sei que sou capaz, que eu conheço suficientemente o emaranhado de problemas da cidade. E eu não pretendo ser outra coisa que não prefeita. Digamos que daqui a quatro anos eu mude de idéia e resolva novamente concorrer a prefeitura. É uma hipótese que existe. Mas não é um plano, um projeto, uma pretensão.

UOL - Se você se diz frustrada, por que não desistiu da política?
Soninha - Por vários motivos. Ser candidata à deputada federal, era tentar fazer com que a representação do PT no Congresso fosse mais parecida com as nossas origens. Eu fui petista desde que o partido surgiu. Eu queria poder fazer com que a gente tivesse de novo orgulho da bancada do PT no Congresso e eu me incluía entre essas pessoas. E muitas das pessoas que passaram pelas duas Casas, me diziam que a dinâmica no Congresso é melhor do que a da Câmara, porque tem mais debate para valer. Não como acontece na Câmara, onde os projetos vão passando. E muito raro ter um debate de vereador em torno de um projeto na Câmara. A Câmara tem guerra, mas tem debate de menos.

UOL - Muitos internautas perguntaram o que você acha da fidelidade partidária e como se coloca diante dessa questão, tendo você mesma mudado de partido.
Soninha - O quadro partidário é uma esculhambação e eu sou absolutamente contra a promiscuidade. O que não quer dizer que eu sou contra o divórcio. Isso não significa que ele precisa ficar até que a morte nos separe ainda que não haja nenhuma compatibilidade, amizade, respeito entre as partes. O troca-troca é um absurdo. O cara já escolhe se eleger por um partido onde vai ser favorável a ele. E vou dar nome ao boi. O PV (Partido Verde) não é rigoroso na seleção dos seus candidatos como eu acho que deveria ser. Você se eleger pelo Partido Verde em termos numéricos não é tão difícil quanto em outros partidos. Tem muita gente que entra nesse partido, se elege, e depois vai para um outro bloco que lhe agrade mais. Mas o PV tem proposta clara. Agora, tenta descobrir qual o partido pelo qual o Clodovil se elegeu. Então, tem que acabar com isso. E não acaba emparedando. Não adianta querer resolver um problema de base pelo telhado. Nem toda mudança de partido é fisiológica.

UOL - Um dos pontos dessa questão é que o mandato é do partido. O que você acha?
Soninha - Isso seria ignorar o sistema e a cultura política como temos hoje, concordando ou discordando dela. Se o mandato é do partido e tanto faz o parlamentar, isso seria o sistema de lista fechada. Eu voto no partido e ele diz quem são as pessoas que vão ocupar aquelas cadeiras. Não é assim. As pessoas têm acesso a uma lista aberta, e elas podem escolher o indivíduo. E a maioria absoluta escolhe um indivíduo dentro de um partido. Porque mesmo dentro do partido as pessoas são muito diferentes. O partido não é o dono sozinho daquela cadeira. Ela é do partido e da pessoa que recebeu votos em seu nome.

UOL - Existe a possibilidade de você apoiar a Marta Suplicy em um eventual segundo turno?
Soninha - Não sei se seria um desejo do PT, porque virou um litígio que não era para ser. Eu briguei muito dentro do PT até chegar uma hora em que disse, ok, eu perdi, vocês venceram, eu vou sair e procurar outra casa. Seria uma decisão sofrida, sinceramente. Eu teria muita dificuldade em apoiar a Marta, porque, ao mesmo tempo em que reconheço realizações muito interessantes no governo dela, também vejo escolhas muito infelizes. As escolhas políticas do PT é que me deixariam muito constrangida em apoiar a candidatura do PT. Como você sustenta uma política transformadora de braços dados com aliados como Maluf? Essas escolhas comprometem a parte administrativa, o orçamento da cidade, as decisões da gestão.

UOL - Você sempre morou em São Paulo. Qual foi o melhor prefeito da cidade?
Soninha - A Erundina. Que sofreu, não tinha como a Marta teve maioria na Câmara. O que ela fez na educação, na essência, na qualidade do ensino, na qualidade do trabalho dos professores, o que ela fez na área da saúde, da moradia, entre outras coisas. Ela teve uma oposição desleal e fez trabalhos excelentes na parte humana da cidade.



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