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10/02/2010 - 20h23

Idec alerta para excesso de açúcar e presença de aditivos em sucos de fruta

Da Redação
  • Análise do Idec indica que sucos de frutas podem não ser saudáveis como parecem

    Análise do Idec indica que sucos de frutas podem não ser saudáveis como parecem

Pesquisa realizada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) com 12 bebidas à base de fruta, comprados em supermercados da cidade de São Paulo, avalia que muitos produtos disponíveis no mercado têm excesso de açúcar, aromatizantes e corantes. 

O estudo avaliou a qualidade nutricional das bebidas, baseando-se na presença ou não de açúcar, aromatizantes e corantes, e as informações contidas nas embalagens, conforme a legislação vigente do setor.

Na análise do Idec, o poder da publicidade e do marketing é tão grande que uma simples embalagem pode levar a crer que determinada bebida é tão saudável quanto a fruta in natura que originou o produto. Mas, conforme explica Vera Barral, sanitarista e coordenadora da pesquisa, apenas o consumo de frutas in natura pode proporcionar o aproveitamento total dos nutrientes. "Os processos de fabricação dos sucos eliminam nutrientes. As fibras, por exemplo, raramente são encontradas em sucos", explica ela.

As bebidas industrializadas tendem a conter altos teores de açúcar, como explica o Idec. É o caso dos néctares, que são diluições açucaradas de sucos concentrados. "Chegam a ter cerca de 20 gramas de açúcar por porção de 200 ml, o equivalente a duas colheres de sopa cheias", alerta Vera Barral.

Outro detalhe importante é que um dos corantes contidos em algumas bebidas, a tartrazina, que pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao ácido acetilsalicílico. Por isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve editar em breve uma norma obrigando que seja mencionado, com destaque, os efeitos adversos do corante.

Açúcar

O único suco adoçado, o suco tropical de manga Jandaia, traz essa informação apenas na face da caixa escrita em inglês, segundo o Idec. O Decreto nº 6.871/09 determina que a palavra "adoçado" seja acrescentada no rótulo principal do produto, junto ao seu nome. O mesmo deve ocorrer quando o adoçante utilizado for artificial.

Além disso, segundo esse mesmo decreto, a quantidade de sacarose adicionada à bebida deve ser expressa à parte (separado da frutose). Por exemplo, o suco Jandaia de manga informa apenas que uma porção de 200 ml do suco contém 23 g de açúcar (ou seja, são 115 g por litro). No entanto, é impossível saber quanto dessa quantidade é proveniente da própria fruta e quanto foi adicionado.

O Idec não reprovou o produto porque a bebida foi produzida antes de 2 de dezembro de 2009, data de aprovação do decreto, e por isso não precisava seguir tal determinação. Mas orienta o consumidor a ficar atento às bebidas fabricadas depois dessa data.

Aromatizantes, corantes e conservantes

Três bebidas foram reprovadas por não informar a presença de aromatizantes no rótulo, o que contraria a legislação: o suco tropical de manga Su Fresh fit, o néctar de uva Disfrut e o suco Jandaia de manga. As duas primeiras têm aromas naturais em sua fórmula e a terceira tem aroma idêntico ao natural (isto é, sua molécula é quimicamente idêntica à do aroma natural, mas obtida por síntese).

Apenas dois dos produtos avaliados continham corantes: a bebida mista de frutas verdes Skinka, que continha tartrazina; e a bebida de frutas sabor uva Del Valle Frut, que tem os corantes amaranto, tartrazina e azul brilhante. O rótulo de ambos trazia essa informação, como previsto.

O conservante benzoato de sódio está presente em quatro das bebidas analisadas: o suco tropical de maracujá Carrefour, o suco de abacaxi Maravilha, o suco tropical de manga Jandaia e a bebida de frutas verdes Skinka, que ainda contém tartrazina.

Os corantes tartrazina (INS102) e amaranto (INS123), assim como o conservante benzoato de sódio (INS211), são apontados como causadores de reações alérgicas e estão ligados ao aumento de distúrbios de atenção e hiperatividade infantil.

Outro dado que chamou a atenção do Idec é que alguns produtos utilizam ácido ascórbico (a vitamina C) como conservante. O problema é que essa porção de vitamina C extra consta da tabela de informação nutricional, o que pode fazer o consumidor acreditar que aquela bebida é saudável. É o caso do suco tropical de manga Su Fresh fit, do suco de manga Jandaia e da bebida de frutas verdes Skinka. Além disso, os três trazem no rótulo apelos do tipo "rico em vitamina C".

Glúten

O suco de laranja orgânico Ecocitrus foi reprovado por não informar na embalagem que não possui glúten em sua composição. A descrição é fundamental para portadores da doença celíacas, proibidos de consumir essa proteína.

Suco, néctar ou refresco?

O Idec também faz uma crítica à legislação, que dificulta aos consumidores a compreensão do que é suco, néctar ou refresco. O suco é o que tem a maior concentração. Em seguida vem o néctar e, por último, o refresco (também chamado de bebida de fruta). Para o instituto, deveria ser obrigatória a informação na embalagem sobre o teor da polpa de fruta contida no produto.

 

 


 

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