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12/02/2010 - 12h47

Homem se recupera de cirurgia que durou 43 horas em Nova York

Por Denise Grady
  • Robert Collison, 59 anos, passou por uma maratona cirúrgica

    Robert Collison, 59 anos, passou por uma maratona cirúrgica

Robert Collison tem muito que fazer. Ele quer ensinar seus netos a tocar guitarra, piano e trombeta. Sua casa precisa de reparos. Sua mãe de 96 anos conta com ele para cuidar da casa dela também. Há viagens a fazer. E ele tem um negócio para administrar.

“É por isso que eu não podia morrer”, disse ele em recente entrevista em seu quarto de hospital na cidade de Nova York, com vista para o rio Hudson. “Há muito para ser feito”.

Collison, 59 anos, passou por uma maratona cirúrgica que começou no dia 8 de dezembro e levou 43 horas para ser concluída, no New York-Presbyterian/Columbia University Medical Center. Um enorme tumor canceroso no abdômen tinha se prendido ao fígado e engolido vasos sanguíneos e partes de outros órgãos. Ele sentia como se o tumor o estivesse engolindo como um Pac-Man.

A única forma de se livrar do tumor era por uma operação ex vivo – isto é, seu cirurgião, Tomoaki Kato, removeu seu fígado, operou o órgão fora do corpo para eliminar o tumor, que pesava 4,5 kg, e então costurou o fígado de volta no corpo.

Nesse processo, Kato teve de reconstruir veias e remover permanentemente parte do estômago, do pâncreas e do intestino de Collison. Foi a operação mais longa que ele jamais realizou.

Collison acordou pensando que tinha estado no inferno, passado por uma câmara de tortura ou sofrido uma queda de avião. Ele passou oito semanas no hospital, com uma complicação atrás da outra. Ele teve infecções e vazamento de bile, seu fígado demorou um bom tempo para se reanimar do manuseio fora do corpo, sua pele ficou amarelada e o que sobrou de seu trato digestivo lhe causava misérias em ambos os extremos.

Mas Collison pouco a pouco se recuperou. “Me sinto bem”, disse ele na entrevista. “Me sinto ótimo. Melhor a cada dia”.

Ele trabalhou duro para recuperar sua forca, praticando subida de escada com uma terapeuta e se esforçando para levantar pesinhos de 900 g – um choque, já que ele costumava halteres de 14 kg e era faixa preta no karatê. Seu apetite voltou, até os desejos. No dia da entrevista, ele sonhava com o espaguete da mulher e uns biscoitinhos de nozes.

Quando Kato foi visitá-lo no quarto, Collison tirou fotos dele com seu iPhone e disse: “Você salvou minha vida. Tenho que tirar uma foto sua”.

A pele e os olhos de Collison ainda estavam extremamente amarelados, embora a cor estivesse diminuindo à medida que seu fígado continuava a se recuperar. “Se o amarelado não melhorar, teremos de descobrir o motivo”, alertou Kato.

Ele afirmou ter removido completamente o tumor, mas solicitaria outras tomografias ao longo do ano para monitorar o estado de Collison.

Olhando para trás, Collison disse que, embora Kato tivesse explicado completamente a operação em todo seu risco e complexidade, mesmo assim ele nunca imaginaria que a cirurgia iria durar quase dois dias e mantê-lo no hospital por tanto tempo.

Porém, ele disse: “O que são dois meses da minha vida quando posso viver mais dez anos? Não é nada. Só estou começando”.

Ele foi liberado do hospital semana passada e deve ficar em Nova York por mais duas semanas para alguns exames antes de voltar a Milwaukee, onde mora.


 

Tradutor:
Gabriela d'Avila

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