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19/03/2010 - 20h39

Remédio da família da aspirina ajuda diabéticos, sugere experimento

Roni Caryn Rabin
The New York Times

Um anti-inflamatório genérico e barato, da família da aspirina, ajudou pacientes de um experimento clínico a administrar seu diabetes tipo 2 e reduzir seu nível de açúcar no sangue – contribuindo para provar que a inflamação desempenha uma função no diabetes, e possivelmente apontando para novas abordagens terapêuticas para essa doença.

O medicamento, chamado de salsalate, que é parente da aspirina, mas não age com tanta força no estômago, foi usado durante anos para tratar artrite e dor nas juntas. Pacientes que o tomaram, como parte de um experimento clínico aleatório conduzido por pesquisadores do Centro de Diabetes Joslin, melhoraram seus níveis de açúcar no sangue depois de três meses – com aqueles sob as maiores dosagens reduzindo seus índices de hemoglobina A1C numa média de 0,5%. Os pacientes que tomaram o medicamento também mostraram redução nos triglicérides.

“O potencial é realmente estimulante”, disse a Dra. Allison B. Goldfine, diretora de pesquisa clínica e principal autora do artigo, que será publicado na próxima edição de Annals of Internal Medicine. “Pode ser que tenhamos uma nova classe de agentes terapêuticos para tratar pacientes com diabetes tipo 2, e, quando se tem um novo agente que é seguro, eficaz e barato, isso é muito animador”.

O mais importante é que o trabalho pode ajudar a desvendar as causas fundamentais do diabetes, afirmou o Dr. Steven E. Shoelson, autor sênior do artigo, chefe da seção de pesquisa em patofisiologia e farmacologia molecular do Centro Joslin e professor de medicina na Escola de Medicina de Harvard.

“Se pudermos descobrir como isso funciona, poderemos desvendar algumas das causas primárias da diabetes, como a obesidade promove inflamações e como a inflamação causa diabetes e outros problemas crônicos de saúde”, disse Shoelson.

Entretanto, os dois autores agregaram uma nota de alerta, dizendo que mais pesquisas eram necessárias antes que os médicos possam prescrever o salsalate.

Pouco mais de 100 pacientes completaram o experimento clínico randômico, e alguns experimentaram efeitos colaterais negativos – como uma elevação do LDL, o chamado colesterol ruim.

O efeito colateral mais comum foi experimentado por pacientes que tomavam medicamentos contra diabetes, chamados Sulfonylureas, e passaram por episódios de leve hipoglicemia, uma queda no nível de açúcar no sangue que pode ser perigosa.

Especialistas que não estavam envolvidos no experimento concordaram que experimentos maiores devem ser feitos, e afirmaram que o impacto do medicamento nos níveis de glicose do sangue era moderado. Porém, eles também disseram que as descobertas eram animadoras por sugerirem que o diabetes tipo 2 poderia ser tratado ao focar na inflamação original.

“Isso expande o arsenal terapêutico contra a doença”, disse o Dr. Domenico Accili, diretor do Centro de Pesquisa de Diabetes e Endocrinologia da Universidade de Columbia.

Como a aterosclerose é considerada um estado inflamatório, essa abordagem também pode reduzir potencialmente o risco de complicações cardiovasculares associadas ao diabetes, explicou ele.

A Dra. Meredith Hawkins, professora de medicina da Universidade Albert Einstein, disse também que o trabalho mostrava que “a inflamação é um bom alvo em termos de tratar o diabetes – e isso é algo sobre o que já vimos falando por bastante tempo”.

A pesquisa está sendo financiada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e pelo Instituto nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e dos Rins.

O salsalate é vendido, nos Estados Unidos, a menos de cinquenta centavos por pílula, e não apresenta a oportunidade de lucro que atrairia grandes empresas farmacêuticas a conduzir a pesquisa. Contudo, com os estimados 23,6 milhões de norte-americanos já sofrendo de diabetes, e um adicional de 57 milhões com pré-diabetes, o governo federal tem um enorme interesse em desenvolver novos tratamentos.

Como parte do experimento, pesquisadores de 17 diferentes centros escolheram aleatoriamente 108 indivíduos, com idades entre 18 e 75 anos, para quatro tratamentos distintos – três dos quais incluíam diferentes quantidades de salsalate em três doses diárias, enquanto os pacientes no quarto grupo recebiam placebo, ou pílulas falsas.

Os pacientes continuaram com seu tratamento regular de diabetes tipo 2 ao longo do estudo. Depois de três meses, os pacientes que tomavam salsalate apresentaram uma probabilidade muito maior de ter melhorado seus níveis de açúcar no sangue do que aqueles tomando placebo, sendo que os pacientes com as maiores dosagens – de 4 gramas por dia – apresentaram as melhoras mais significativas.

© 2010 New York Times News Service
 

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