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06/06/2007 - 11h24

G8 se encaminha para acordo sem grandeza sobre aquecimento global

A reunião de cúpula do G8 se dispõe a renunciar aos ambiciosos objetivos da presidência alemã sobre o clima e poderá ser encerrada na sexta-feira com uma declaração de acordos insossos que, em troca, consagraria o papel da ONU na luta contra o aquecimento global.

EFE/Bernd Wuestneck
A ONG Intermón Oxfam montou nesta quarta-feira em Rostock, na Alemanha, bonecos com máscaras que representam
chefes de Estado do G8, vestidos como médicos para protestar contra a escassez
de profissionais de saúde na África
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Antes do início oficial do encontro entre as sete maiores economias do planeta, além da Rússia, nesta quarta-feira, às margens do mar Báltico, os Estados Unidos enterraram as esperanças a respeito de um acordo para o corte nas emissões de gases que provocam o efeito estufa.

Segundo Jim Connaughton, funcionário do governo americano para o meio ambiente, o comunicado final da cúpula não estabelecerá objetivos globais a longo prazo.

Na versão apresentada inicialmente ao Clube dos Oito, a chanceler alemã Angela Merkel queria um compromisso para limitar em dois graus o aumento das temperaturas, reduzindo pela metade as emissões de dióxido de carbono antes de 2050.

Os Estados Unidos, como repetiu esta quarta-feira Connaughton, insistem na proposta feita pelo presidente George W. Bush na semana passada.

Trata-se de reunir os 15 países que, segundo ele, mais poluem a atmosfera, entre os quais estão Brasil, México, China, Índia e África do Sul, que participarão da reunião de cúpula como convidados representando os países emergentes.

A referência à meta de dois graus também será objeto de debate.

"A Europa está muito apegada a esta idéia há tempos, mas será muito difícil conseguir", reconheceu uma fonte européia.

"Os Estados Unidos não são os únicos que bloqueiam, o Japão nunca aceitou muito", acrescentou.

Em troca, a Alemanha segue decidida a impor as Nações Unidas e a Convenção sobre as Mudanças Climáticas como único marco de negociação global possível nas conversações sobre o futuro do Protocolo de Kioto, que serão iniciadas em dezembro em Bali.

Segundo um negociador europeu, "para associar os Estados Unidos, pode-se aceitar sair do marco da ONU e discutir paralelamente. Mas com a condição de que depois se retorne ao processo nas Nações Unidas".

Os Estados Unidos não ratificaram este protocolo que expira em 2012, que constitui o único acordo multilateral que obriga os países industrializados a reduzir as emissões de gases.

Neste aspecto Merkel pode contar com o apoio do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que disse preferir que "não haja acordo a um acordo ruim", segundo afirmaram membros das organizações governamentais com as quais se reuniu na terça-feira.

"Vários enfoques são possíveis, mas um tema tão global (como o aquecimento) deve ser tratado globalmente", confirmou terça-feira uma fonte alemã.

Em um artigo publicado nesta quarta-feira na imprensa alemã, Merkel reitera a necessidade de se "dar um impulso em favor das negociações internacionais sobre a proteção do clima".

O que é realmente urgente é unir ao projeto economias emergentes como China e Índia, cujo grau de poluição superará o dos Estados Unidos antes de 2009, lembra um observador europeu.

Por enquanto, estas nações se negam a limitar seu crescimento e seu desenvolvimento enquanto os americanos não se comprometerem. Mas Washington insiste que um compromisso sem China ou Índia prejudicaria sua economia.

"É preciso esperar que os alemães se mantenham firmes, porque do que for decidido em Heiligendamm dependerá o êxito das próximas reuniões de cúpulas sobre o clima", afirma o negociador europeu.

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