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08/06/2007 - 13h07

Para administração Bush, clima pode esperar até 2009

HEILIGENDAMM, Alemanha, 8 jun (AFP) - Apesar de isolados dentro do G8, os Estados Unidos impuseram sobre a questão do clima sua estratégia de fixar compromissos não vinculantes e "a longo prazo", o que deixa para o próximo inquilino da Casa Branca a pendência de tomar decisões acerca deste espinhoso tema.

O acordo de Heiligendamm, apesar de mencionar "substanciais reduções" das emissões de gases causadores do efeito estufa, apenas insta aos principais poluidores a concluir um acordo global sob a égide da ONU "antes de 2009".

Até lá o presidente George W. Bush já terá passado o problema a seu sucessor, afirmam alguns analistas.

Anfitriã da reunião, a chanceler alemã Angela Merkel, apoiada pelos líderes europeus, aos quais se uniram Canadá e Japão, propõe reduzir à metade as emissões mundiais de poluentes antes de 2050 (em relação ao nível verificado em 1990). Mas o acordo não faz maiores referências além da promessa de levar "seriamente" em consideração este objetivo.

"Boa parte da intransigência de Bush se explica pelas preocupações de ordem interna", explica Phil Clapp, diretor do National Environment Trust (Net), com sede em Washington. "Não poderia aceitar aqui metas vinculantes, arriscando-se a ver como o Congresso americano reage".

Desde que alcançaram a maioria no Congresso americano em janeiro, os democratas militam ativamente por uma política agressiva em relação ao clima e aos objetivos de redução das emissões de CO2.

Atualmente, os Estados Unidos rechaçam qualquer compromisso vinculante. O país se absteve de ratificar o Protocolo de Kioto, único mecanismo multilateral de combate aos gases do efeito estufa, que impãe até 2012 objetivos diferenciados de redução às nações industrializadas.

Segundo Washington, este regime é inútil, já que não coloca as mesmas obrigações a países como Índia e China, apesar das previsões apontarem este último como forte candidato a principal poluidor do planeta antes do fim da década.

Mas Bush "não poderia chegar como se nada estivesse acontecendo e dizer não a todos, tinha que colocar algo sobre a mesa", acredita Clapp.

Para tanto, propôs - e conseguiu do G8 - marcar para o próximo outono boreal uma reunião com os "principais emissores", um inédito marco de cooperação informal contra o aquecimento global. O modo de funcionamento se aproximaria bastante da Aliança Ásia-Pacífico (AP6), criada em 2005 com cinco países, entre os quais Japão e China, e que não estabelece deveres.

O novo fórum reuniria, além do G8, cinco países convidados - China, Índia, Brasil, México, África do Sul e Austrália.

Segundo o acordo de Heiligendamm, este processo será levado a cabo junto com as negociações da ONU que devem ser concluídas em 2009, um ponto bastante explorado pela chanceler.

Merkel e os europeus estão satisfeitos com o caminho escolhido pela administração americana sobre o reconhecimento das responsabilidades humanas nas mudanças climáticas.

"A posição americana é boa porque as negociações devem incluir todo o mundo", considera o diretor da Agência Internacional de Energia, Claude Mandil. "Sobretudo porque Bush disse claramente que não é uma questão de se colocar à margem da ONU".

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