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11/06/2007 - 16h39

Cientistas argentinos criam novo tratamento contra o mal de Chagas

BUENOS AIRES, 11 Jun (AFP) - Cientistas argentinos criaram um novo tratamento contra o mal de Chagas, uma doença endêmica que afeta três milhões de pessoas no país e 20 milhões na América Latina, a maioria moradores de áreas rurais.

O mal de Chagas causa 50 mil mortes por ano no mundo, segundo organizações não-governamentais.

A terapia funciona como o tratamento de diálise que se aplica aos doentes que sofrem de insuficiência real, disse à AFP Mariano Levin.

Levin liderou o trabalho realizado por um grupo de cientistas do Instituto de Engenharia Genética e Biologia Molecular do estatal Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET).

O mal de Chagas, conhecido no país como a 'Aids dos pobres' por sua disseminação nas populações rurais da América Latina, deteriora lentamente as funções do coração e causa arritmia cardíaca que pode levar à morte súbita.

A eficácia do tratamento foi demonstrada em laboratório, mas ainda não conta com a aprovação da autoridade sanitária local para ser utilizada em pacientes, informou Mariano Levin.

O trabalho saiu à luz após sua publicação, em 1º de junho, na revista Clinical Experimental Inmunology, da Associação de Imunologia da Inglaterra.

"A descoberta pode ser uma alternativa ao transplante cardíaco, e pode dar ao paciente alguma esperança de sobreviver sem o transplante", acrescentou Levin, que é pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet).

A doença "deixa o coração como uma bola de futebol murcha, incapaz de bombear", comparou o cientista.

Segundo ele, existem 20 milhões de pessoas vivendo com o mal de Chagas na América Latina, onde nos últimos anos aumentou a detecção da doença nos países da região central do continente, em México, Bolívia, Paraguai e Venezuela.

"Em algumas regiões da Bolívia, 50% da população está afetada pelo mal de Chagas", disse Levin.

O cientista destacou que a doença voltou "a ser um problema sério na Venezuela", após sua erradicação entre os anos 60 e 70.

O especialista alertou, ainda, para a expansão da doença no Paraguai e na região do estado do Amazonas.

A doença é transmitida pelo parasita 'Tripanosoma cruzi', carregado pelo barbeiro, um inseto que vive nos tetos de palha e nas paredes sem reboco das casas pobres.

A bactéria chega ao corpo humano através da picada do inseto, mas também pode ser transmitida por transfusões de sangue ou de mãe para filho.

O grupo de cientistas chefiado por Levin desenvolveu um teste para diagnosticar o mal, que permite detectar a presença dos anticorpos gerados contra o parasita.

Parte destes anticorpos é nociva para as pessoas acometidas do mal de Chagas porque os mesmos se colam a certas células do coração, deteriorando o órgão.

Junto com o teste, os cientistas criaram a terapia que visa a resolver o problema criado pelo sistema de defesa do corpo humano.

O tratamento tira de circulação os anticorpos nocivos aderentes ao coração, mediante um processo similar à diálise, que permite que o sangue circule por filtros especiais fora do corpo e volte limpo ao organismo.

Os anticorpos nocivos ficam, no entanto, colados a uma resina, disse Levin, cujo trabalho recebeu subsídios do CONICET e da Agência Nacional de Promoção Científica e Tecnológica da Argentina.

A resina já testada em laboratório é um produto desenvolvido na Alemanha, que se utiliza na Europa para tratar pacientes com problemas cardíacos.

O mal de Chagas foi descoberto pelo cientista brasileiro Carlos Chagas, cujas pesquisas foram aprofundadas pelo médico argentino Salvador Mazza.

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