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11/06/2007 - 13h12

Sangria, terapia utilizada por Maomé, volta a se tornar popular no Iraque

BAGDÁ, 11 Jun (AFP) - Os iraquianos recorrem cada vez mais à sangria, uma terapia que data da antiguidade e que voltou a se tornar popular no Iraque, sobretudo no centro e no sul do país, onde os moradores sofrem permanentemente o estresse da violência e da guerra.

"Antes me sentia fraco, mas agora sinto que aconteceu uma mudança magnífica no meu corpo", disse Mushtaq Razzaq, um homem de 20 anos adepto da sangria.

"Os sírios, os chineses e os habitantes do Egito antigo recorriam todos à sangria para aspirar o sangue corrompido", explica Hajam, enquanto tira sangue das costas de um homem em sua sala de curandeiro em Cidade Sadr, o grande bairro popular xiita do nordeste de Bagdá.

Murtada Abu Ali, que também se submete assiduamente às sangrias ('hijama', em árabe), afirma que esta terapia busca efeitos benéficos que não podem ser obtidos com a medicina moderna.

"Eu me cansei dos analgésicos prescritos pelos médicos para minhas dores no pescoço, por isso decidi recorrer ao 'hijama' e isto me parece muito bom. Recomendo a todo o mundo que experimente", aconselha este homem de 45 anos.

A sangria se baseia numa teoria segundo a qual as doenças são resultantes da contaminação e do desequilíbrio dos fluidos corporais, sobretudo o sangue e a bílis.

Esta terapia, utilizada há muito tempo nos países do Golfo, consiste em fazer incisões no corpo e tirar sangue através de uma ventosa. A sangria permite usar o sangue e melhorar a circulação, em particular nos pequenos vasos sangüíneos, segundo seus defensores.

"O percentual de cura é bastante elevado, sobretudo naquelas pessoas que sofrem de doenças do coração e das artérias, bem como nos diabéticos", disse Hajam, que recebe diariamente até 30 pacientes.

O curandeiro, que não quis revelar seu nome, começa perguntando ao paciente onde dói. Depois, coloca um pequeno copo plástico que serve de ventosa no lugar indicado, aspira o ar e espera alguns minutos antes de retirá-lo.

Em seguida, faz várias pequenas incisões na pele, coloca novamente o corpo plástico e aspira novamente o ar, deixando sangrar alguns minutos antes de esterilizar e colocar uma venda.

As sangrias são feitas, sobretudo, nas costas porque "a circulação do sangue é mais lenta ali e a perda ininterrupta de sangue não é possível. Além disso, as costas são menos sensíveis que outras partes do corpo", explicou Hajam.

"O profeta Maomé também recorria ao 'hijama', utilizado (naquela época) para curar várias doenças como artrose, ciático ou para combater a esterilidade de homens e mulheres", acrescentou Hajam.

Esta técnica também era utilizada tradicionalmente pelos pescadores de pérolas no Golfo Pérsico para prevenir as doenças antes de embarcar para uma expedição de três meses no mar.

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