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24/03/2010 - 13h43 / Atualizada 24/03/2010 - 16h45

Até 90% das galáxias distantes escapam de nossos telescópios

Annie Hautefeuille
Em Paris

Até 90% das galáxias do universo distante teriam escapado do registro de nossos telescópios, segundo um estudo da revista Nature divulgado nesta quarta-feira (24) e que permite prever a possibilidade de se desvendar o passado do Cosmos.

Graças ao Very Large Telescope (VLT) instalado no Chile, Matthew Hayes, do Observatório Astronômico da Universidade de Genebra, e seus colegas conseguiram observar algumas galáxias menos luminosas que datam da infância do universo, quando este tinha apenas um quarto de sua idade atual, estimada em 13,7 bilhões de anos.

Para descobrir a quantidade de estrelas formadas em galáxias distantes e elaborar mapas do céu profundo, os astrônomos recorrem a uma radiação característica do hidrogênio, elemento mais abundante do universo.

Aquecido por estrelas nascentes, o hidrogênio emite raios ultravioletas de uma longitude de onda de 121,6 nanômetros, as chamadas "raias Lyman-alfa", em homenagem ao físico Théodore Lyman que as descobriu.

Mas diversos fótons (partículas de luz) emitidos nessa longitude de onda são interceptados por nuvens de gases interestelares e de poeira. A maior parte da radiação fica aprisionada na galáxia originária.

"Cerca de 90% das galáxias onde nascem estrelas não emite radiação Lyman-alfa suficiente para poder ser detectada", resumem os autores do estudo divulgado pela revista científica Nature.

"Onde dez galáxias são visíveis, pode haver 100", resume Hayes em um comunicado do Observatório Europeu Austral (ESO), que tem seu estudo concentrado em galáxias tão distantes que sua luz leva dez bilhões de anos para chegar até nós.

Os astrônomos já sabiam que parte das galáxias não estão em suas listas de céu profundo baseadas em Lyman-alfa. O estudo permitiu medir isso pela primeira vez e constatar que o número de galáxias que faltam é considerável, acrescenta.

Utilizando dois dos telescópios de 8,2 m do ESO no Chile, sua equipe conseguiu observar galáxias distantes em Lyman-alfa e em outra longitude de onda característica do hidrogênio quente, "a raia H-alfa". Menos suscetível de ser absorvido por gases interestelares frios, esta radiação foi captada com a câmera Hawk-1 do VLT, que desvendou galáxias desconhecidas em uma região do céu bastante estudada.

"Esta é a primeira vez que observamos tão profundamente uma porção de céu com duas longitudes de onda diferentes que o hidrogênio irradia", indica Göran Oslin (Universidade de Estocolmo).

"Agora que sabemos quanta luz nos escapou, podemos começar a criar representações muito mais exatas do Cosmos" porque entendemos "melhor a velocidade com que se formaram as estrelas em diferentes épocas do universo", concluiu Miguel Mas-Hesse, do Centro da Astrobiologia CSIC-INTA, na Espanha.

Uma galáxia maciça dessa época distante podia criar estrelas parecidas com o Sol cem vezes mais rápido do que nossa Via Láctea atualmente, indicou no domingo outro estudo.
 

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