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05/02/2010 - 10h40

Receitas respeitam tradição budista

São Paulo - Seguindo um tradicional costume chinês, de que os parentes de uma pessoa que morreu devem realizar ações benéficas nos 49 dias que sucedem a morte para que os méritos sejam transferidos ao ente falecido numa próxima vida, a chef Jasmine Chen, de 57 anos, resolveu introduzir uma dieta vegetariana à rotina familiar logo após ficar viúva, em 1997.

Assim, ao evitar alimentos de origem animal, a taiwanesa, que emigrou para o Brasil em 1979, estaria sintonizada com a filosofia da religião budista ao respeitar os seres sencientes - aqueles que têm sensações. E para que a alimentação dos três filhos continuasse saudável, ela fez muita pesquisa para substituir os ingredientes que não eram permitidos e usou muita criatividade para inventar pratos nutritivos e saborosos.

Algum tempo depois, após retornar a passeio a Taiwan, ilha que foi reincorporada à China em 1997, e ver como a culinária vegetariana era comum ali, surgiu a ideia de divulgar no Brasil as receitas que fazia apenas para a família. O resultado de tanta experimentação está nas páginas do livro "Sabor e Saúde - As melhores receitas vegetarianas do Templo Zu Lai", lançado pela Escrituras Editora.

"Muitas pessoas viram vegetarianas, mas não sabem como comer", diz Jasmine. "Não é só comer folha, precisa comer proteína também", alerta. Ontem, às 18h30, foi feito o lançamento do livro na Fnac Paulista, com direito a degustação de algumas receitas. Jasmine é voluntária no templo budista Zu Lai, localizado em Cotia, na Grande São Paulo, onde ajuda a preparar refeições vegetarianas.

No livro, que traz fotografias de Edson Hong, a chef ensina receitas práticas e rápidas da culinária chinesa e da brasileira, cujos ingredientes de origem animal são trocados. "Quando tem carne, eu a substituo por carne de soja, glúten ou tofu", explica. O frango xadrez, por exemplo, é feito com carne de soja.

Para chegar ao ponto certo e as receitas ficarem realmente saborosas, a chef não economizava no uso de ervas chinesas. E, ainda hoje, as experiências culinárias continuam. Uma das mais recentes criações foi o escondidinho, que, em vez da carne seca, esconde a carne de soja.

Jasmine só não está satisfeita ainda com um prato que tem trabalhado: a salsicha vegetal. "Não consegui encontrar o cheiro exato", diz ela. Se para o primeiro livro foram de cinco a seis anos para "sair do forno", Jasmine já está elaborando a próxima publicação. Ela conta que os pratos serão "mais enfeitados, para banquete".

Igor Giannasi

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