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26/07/2010 - 11h45 / Atualizada 26/07/2010 - 12h47

Mortes por Alzheimer quase dobram em cinco anos em SP

Em São Paulo

Aos 71 anos, Maria Viegas Napoli muitas vezes não reconhece as próprias filhas. Ela foi diagnosticada com mal de Alzheimer há cinco anos, época em que a capital registrava 494 casos de óbitos provocados pela doença. No fim do ano passado, já eram 939 - um aumento de 90% no período. É o que mostra um levantamento inédito feito pelo Jornal da Tarde com base do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (PRO-AIM)de São Paulo.

O mal de Alzheimer é a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos, dizem os médicos. A partir dessa faixa etária, a chance de desenvolver a doença é de 5% e dobra a cada cinco anos - aos 85 anos, chega a 50%. "A doença faz com que o paciente perca suas funcionalidades e se torne completamente dependente", diz a geriatra Luciana Pricoli. "Os medicamentos, a fisioterapia e a psicoterapia podem retardar essa perda", completa.

Os neurônios morrem e, junto com eles, se vão as datas, lembranças e fisionomias - como os contornos dos rostos das filhas de Maria. A perda da capacidade cognitiva, do raciocínio e da linguagem, muitas vezes, é confundida com processos naturais do envelhecimento, daí a dificuldade de um diagnóstico precoce.

Por enquanto, a doença é identificada por meio de sinais clínicos e com a ajuda de testes .Na semana passada, contudo, durante o Congresso International sobre Alzheimer, no Havaí, os especialistas propuseram que o diagnóstico passasse a ser feito por meio de tomografias, antes do surgimento dos sintomas, conforme noticiou o jornal norte-americano New York Times - o que poderia triplicar, segundo os pesquisadores, o número de diagnósticos.

No Brasil, os médicos passaram a estudar a doença mais a fundo em 2001, quando o governo federal começou a oferecer tratamento médico para Alzheimer na rede pública de saúde. No mesmo ano, a Prefeitura de São Paulo criou um protocolo para facilitar o diagnóstico dos pacientes com sinais da doença, um dos fatores que ajudam a explicar o aumento exponencial de casos identificados na cidade. Nos últimos 10 anos, entre 1999 a 2009, a doença passou da 80ª para 21ª posição entre as causas de morte na capital. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

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