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11/06/2007 - 20h12

Em risco de extinção, macaco muriqui é tema de livro

da Redação
Nativo da Mata Atlântica e em grave risco de extinção, o muriqui é considerado o maior macaco das Américas. Mas, apesar do tamanho - o macho pode atingir até 1 m de comprimento, é o comportamento social do primata que mais chama a atenção de biólogos e estudiosos, como a antropóloga norte-americana Karen Strier.

O MAIOR MACACO DAS AMÉRICAS
Divulgação
Segundo a antropóloga norte-americana Karen Strier, o muriqui se diferencia de todos os outros primatas por sua baixa beligerância e a ausência de hierarquia
Professora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, Karen lança nesta terça-feira, em São Paulo, o livro "Faces na Floresta", resultado de mais de 20 anos de pesquisas com o macaco brasileiro. "Ao contrário de outros primatas, o muriqui é extremamente pacífico e tem muito a ensinar a nós, humanos", conta a antropóloga.

Karen começou a estudar o animal em 1982, quando visitou pela primeira vez a Reserva Feliciano Miguel Abdalla, sede da Estação Biológica de Caratinga, em Minas Gerais. "Vim conhecer o muriqui à convite da ONG Internacional Conservation e fiquei encantada", lembra a autora do livro, que chegou a passar 18 meses seguidos em campo para conhecer os hábitos do primata.

O trabalho da pesquisadora coincide com o projeto conduzido pela sociedade "Preserve Muriqui", hoje presidida por Ramiro Abdalla Passos, neto do conservacionista que deu nome à reserva mineira. A ONG é responsável pela realização do livro. "Na época em que Karen iniciou seus estudos, havia apenas 40 muriquis na natureza. Atualmente, existem cerca de 230, a maioria em Caratinga", afirma Passos.

Pacato e polígamo

Segundo ela, a espécie tem características biológicas e sociais que o diferenciam bastante de todos os outros primatas, como a baixíssima beligerância, a ausência de hierarquia e a grande agilidade para se locomover no alto das árvores.

A aparência serena e o caráter pacífico do muriqui explicam o nome dado ao animal, que em tupi significa "gente tranqüila". Quando ameaçados, os machos da espécie Brachyteles hypoxanthus tomam uma atitude bastante peculiar: em vez de partirem para a agressão, eles se abraçam, formando um enorme bloco que afugenta o inimigo.

Há quem atribua a serenidade do muriqui à notável performance sexual do bicho. Seu esperma tem a capacidade de se solidificar, o que cria uma espécie de tampão nas fêmeas para impedir novas cópulas.

Apesar da capacidade produtiva e da agilidade do muriqui, a destruição da Mata Atlântica fez com que o macaco entrasse na lista dos animais com maior risco de extinção no Brasil.

Serviço
"Faces na Floresta", de Karen Strier
Lançamento: 12 de junho de 2007 (o evento contará com um bate-papo entre a antropóloga, a autora do prefácio, a jornalista Miriam Leitão, o presidente da sociedade "Preserve Muriqui" e outros convidados)
Horário: 19h30
Local: Escola São Paulo (R. Augusta, 2239 - São Paulo, SP)
Entrada franca
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