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12/06/2008 - 15h23

Para se livrar do ronco, é preciso querer

Tatiana Pronin
Editora do UOL Ciência e Saúde
Se você dorme com alguém que ronca, provavelmente já prestou atenção em anúncios de argolas para o nariz, adesivos, travesseiros e aparelhos ortodônticos que prometem acabar com o inconveniente ruído. Também já deve ter ouvido receitas caseiras, como costurar um bolso com uma bolinha de tênis na parte de trás do pijama para evitar que a pessoa durma de barriga para cima.

Segundo especialistas, todo esse arsenal pode funcionar, dependendo de qual for a origem do problema. O incômodo barulho, causado pela vibração das estruturas das vias aéreas superiores, pode ter diversas causas: rinites, sinusites, desvios do septo nasal e alterações no maxilar e na mandíbula, por exemplo. A concentração de gordura no pescoço e a flacidez que vem com a idade, além do uso de álcool ou de remédios para dormir, são outros agravantes. "A pessoa tem que abrir a boca para melhorar o fluxo de ar, o que resulta no ronco", diz Lascala.

Arquivo Folha Imagem
Paciente é submetida a exame de polissonografia; o teste é indicado, entre outros casos, para detectar a apnéia, distúrbio que pode ter relação com o ronco
ATÉ QUE O RONCO NOS SEPARE?
APNÉIA PODE PREJUDICAR MEMÓRIA
Depois de consultar um especialista e descobrir a origem do ronco, o desafio é aderir ao tratamento. Afinal, ninguém gosta de dormir de aparelho, muito menos no nariz. "Quando o roncador me procura por iniciativa própria, a chance de sucesso é de aproximadamente 80%. Já quando ele é arrastado pela para o consultório, o índice cai para 10%", conta o ortodontista Cícero Lascala, comparando o fato com a decisão de abandonar o fumo.

Com ou sem apnéia?

Cerca de 30% das mulheres e 50% dos homens acima dos 40 anos roncam, segundo as estatísticas. Não se sabe ao certo a proporção, mas boa parte dessas pessoas sofre também da chamada apnéia obstrutiva do sono. O distúrbio é caracterizado por interrupções sucessivas na respiração, algo que só pode ser confirmado em um exame de polissonografia.

Além da sonolência excessiva durante o dia, a apnéia está associada à hipertensão e pode evoluir para doenças cardíacas. A solução para o problema é dormir com uma máscara de ar, o CPAC.

"É raro encontrar uma pessoa com apnéia que não ronque", diz o neurologista Luciano Ribeiro Pinto Jr., da Universidade Federal de São Paulo, presidente da Associação Brasileira de Sono. Já o oposto acontece com freqüência.

Embora menos grave, o ronco sem apnéia não está livre de conseqüências. "É um sinal de comprometimento na qualidade da respiração durante o sono", ressalta. Sem contar os prejuízos ao sono do parceiro (a), já que o próprio roncador não costuma acordar com o ruído que provoca (com algumas exceções).

O médico lembra que, até pouco tempo, era comum os especialistas indicarem cirurgias para facilitar a passagem do ar e reduzir o ronco. "Mas quase sempre o problema voltava após algum tempo", diz o neurologista. Portanto, se a causa for uma rinite, é possível que o adesivo para dilatação nasal resolva. Se for a posição dos maxilares, um aparelho ortodôntico é a alternativa. Evitar o álcool, manter o peso sob controle e dormir de lado (daí o conselho da bolinha nas costas) são outras medidas úteis.

Medicamentos ainda em fase de testes podem ajudar a resolver o problema de quem ronca. É o caso de uma pílula em estudo no Rio Grande do Sul. O princípio é estimular os neurônios responsáveis pela respiração, tornando mais firmes os músculos da região da garganta. "O produto deve ser comercializado em breve, provavelmente daqui a dois anos", garante um dos pesquisadores, o médico Denis Martinez, de Porto Alegre.

Enquanto uma solução mais simples não chega, o ideal é recorrer aos dispositivos indicados pelo médico. O importante, segundo ele, é procurar auxílio. "Dormir bem é fundamental para a consolidação para a memória, o que significa ter criatividade e inteligência", ensina Martinez. O argumento deveria ser suficiente para que roncadores busquem tratamento, ou sejam levados a buscar.
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