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24/04/2009 - 07h00

Certas pessoas "funcionam melhor" à tarde ou à noite, diz especialista

Por Chris Bueno
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Apesar de todos os seres humanos possuírem relógio biológico, nem todos os relógios biológicos são iguais. Existem pessoas que "funcionam melhor" de manhã, sentindo-se mais despertas e ativas neste período do dia, e com muito sono e sem energia durante a noite (as chamadas "diurnas"), e pessoas que são exatamente o oposto (as "vespertinas"). Apenas 20% da população mundial é vespertina ou matutina (80% restante é considerado "intermediário", ou seja, possui um relógio biológico mais flexível).

As pessoas que possuem o ritmo biológico concentrado em apenas um período (manhã ou noite) sentem muito mais dificuldade para ajustarem seus relógios biológicos, precisando muitas vezes recorrer a tratamentos e até mesmo a medicamentos.

Para pessoas vespertinas e matutinas, o ideal é tentar adequar a rotina ao seu ritmo biológico. "As pessoas matutinas devem aproveitar a manhã para realizarem trabalho, estudo e outras atividades. As pessoas vespertinas devem procurar realizar suas tarefas mais tarde", recomenda a bióloga Carolina Azevedo, professora do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Como nem sempre é possível alterar os horários de trabalho e de estudo, é preciso ajustar o relógio biológico, acostumando o corpo a dormir e acordar nos horários necessários através de exercícios físicos, alimentação e exposição à luz, além de procurar orientação médica se necessário. "E é muito importante manter o ritmo, não ficar alternando os horários, especialmente o horário de dormir, para manter um equilíbrio e uma vida saudável", diz a bióloga.

Bebês, adolescentes e adultos

Além de mudar de uma pessoa para outra, o relógio biológico também muda ao longo da vida. Os bebês, embora já possuam um relógio biológico, ainda não são capazes de ajustá-los com o ciclo de luz e escuro e não fazem distinção entre o dia e a noite. Assim, não possuem um ciclo de 24 horas, mas dormem e acordam a cada quatro horas.

Esse ajuste deve ser aprendido e para isso é necessário que a criança seja exposta a luz durante o dia e fique em ambiente escuro à noite, além de ser muito importante estabelecer e manter horários, criando uma rotina que ajude nesse amadurecimento. Conforme vai crescendo, fica mais fácil fazer esse ajuste e a criança vai precisando de menos horas de sono.

Durante a adolescência, o relógio biológico sofre um "atraso" de cerca de duas horas e há um aumento na necessidade de sono. Por isso os adolescentes dormem e acordam mais tarde. Isso acontece devido às diversas mudanças que ocorrem no corpo durante essa fase da vida, especialmente devido aos hormônios, e ao gasto maior de energia que essas mudanças exigem.

"Geralmente os pais se queixam que os filhos adolescentes dormem muito, são preguiçosos, dormem a tarde inteira. Mas isto é porque eles vão dormir tarde (por causa do atraso no relógio biológico) e têm que acordar cedo por causa da escola, que normalmente é pela manhã", explica o médico John Araújo, professor do Departamento de Fisiologia e pesquisador do Laboratório de Cronobiologia UFRN.

Arquivo Folha Imagem
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Além disso, os adolescentes também experimentam uma mudança em sua vida social, que contribuem para esse atraso. "Geralmente, eles ficam acordados até mais tarde, navegando na internet, ou com os amigos", aponta Azevedo. Isso acaba sendo um problema porque, geralmente, as aulas na escola começam de manhã cedo, num horário em que o adolescente, acostumado a dormir e acordar tarde, ainda não está totalmente "desperto". Assim, seu desempenho cai consideravelmente e há visível prejuízo de sua concentração e de seu rendimento escolar.

"Além disso, acordar em horário tão cedo acaba privando o sono dos adolescentes, que têm uma necessidade de sono praticamente igual à de uma criança de 10, 12 anos (cerca de 9 horas por dia)", ressalta a pesquisadora. A solução para isso é procurar colocar os adolescentes para estudar no período da tarde.

Na fase adulta, esse relógio volta a se ajustar, mas sofre outra mudança na velhice. Com o envelhecimento, o sistema circadiano fica com uma menor capacidade de ajustar o relógio biológico. Assim, o ritmo fica fragmentado. Por isso os idosos dormem várias vezes durante o dia e acabam dormindo pouco à noite. "Para melhorar o sono à noite, é recomendável que os idosos façam atividades físicas", diz Araújo.

"É importante esclarecer que as mudanças no relógio biológico ao longo da vida são um processo natural. Às vezes a pessoa experimenta uma mudança, passa a se sentir mais sonolenta durante o dia, ou perde o sono à noite, e acaba achando que está com um problema, quando isso é perfeitamente natural", diz Carolina Azevedo.

A pesquisadora ainda ressalta que os ajustes ao relógio podem ser feitos simplesmente com uma mudança de hábito, e as medicações devem ser colocadas como última opção, e sempre depois de receber orientação médica. "Na maioria das vezes, a medicação não é necessária", afirma.

É possível saber qual é o seu ritmo fazendo o teste do site www.crono.icb.usp.br/cronotipo.htm.





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