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26/06/2009 - 08h00

Só é calvo quem quer, garantem especialistas

Cristina Almeida
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Paulo ainda era um estudante da escola média quando os amigos passaram a chamá-lo de "O Cabeleira", por causa da quantidade de seus cabelos e do rabo-de-cavalo que usava. Ele entrou na faculdade, o corte se modernizou, mas as fartas madeixas ainda impressionavam. Um amigo careca sempre puxava seu cabelo e dizia: "Vamos ver se é peruca ou não". Claro que a brincadeira o incomodava, mas era compreensível: "Como é que eu tinha tanto cabelo e ele quase nada?"

Por muito tempo, o cabelo foi símbolo de juventude, força e virilidade, e até hoje é considerado parte importante da aparência, capaz de influenciar a imagem que temos de nós mesmos, assim como nossas emoções. Estudos científicos que revelaram o quanto pode ser devastador para um jovem de 20 anos a perda de seus cabelos.

Pesquisador do comportamento dos calvos há mais de 10 anos, Thomas F. Cash, professor da Old Dominium University in Norfolk, em Virginia, EUA, afirma que o que se passa na cabeça dessas pessoas é que elas geralmente acreditam que "ninguém vai amá-los e que as portas do futuro lhes serão fechadas". Cash explica que, no meio social em que vivem, os carecas aprendem a conviver com comentários pejorativos sobre sua aparência, e isso faz com que vivam se comparando aos demais, muitas vezes reforçando a imagem negativa que têm de si.

Imagem corporal

Segundo o especialista, o impacto dessas circunstâncias pode ser tão grande, que muitos deles têm procurado ajuda psicológica. No consultório, a terapia cognitivo-comportamental tem sido bastante útil, pois permite que a pessoa identifique e modifique crenças e padrões irreais sobre o próprio corpo.

Embora os estudos de Cash tenham concluído que a maioria dos homens sofre mais do que se imagina com a perspectiva de perder ou a efetiva perda dos cabelos, na opinião do dermatologista Valcinir Bedin, especialista em tricologia (estudo dos cabelos), a situação não é tão dramática, já que sempre haverá uma solução para o problema. "Ao notar os primeiros sinais de queda, cientificamente chamada de alopécia, a primeira coisa a fazer é procurar tratamento. Quanto mais cedo for a providência, melhores serão os resultados estéticos", garante.

O professor de dermatologia Jerry Shapiro, chefe da Clínica de Doenças do Cabelo e do Couro Cabeludo da Universidade de Nova York, concorda com Bedin e acrescenta que a maioria dos casos de calvície pode ser tratada com medicamentos, produtos tópicos e injeções, além de cirurgia: "tudo depende da extensão da perda do cabelo, da idade do paciente e de suas condições econômicas".

"Nos casos de início do quadro, quando há precedentes familiares, pode-se iniciar uma terapia já aos 14 anos de idade", completa Bedin. Em 15% dos casos, a calvície pode começar aos 18 anos de idade, mas a maioria dos homens começa a ter o problema entre os 22 e 24 anos. Aos 35 anos, dois terços deles vivenciam perda considerável de seus cabelos e, aos 50 anos, esse percentual sobe para 85%.

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