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26/06/2009 - 08h00

Conheça mitos e verdades sobre a queda de cabelo

Cristina Almeida
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Apesar da evolução no tratamento da calvície, ainda hoje existem vários mitos sobre o assunto. Quando se ouve falar de uma solução cirúrgica, por exemplo, muitos ainda acreditam que os resultados não compensam. A opção da maioria é arranjar um jeito próprio de conviver com o problema, utilizando-se de inúmeros artifícios, sem nunca enfrentar o problema com o apoio de um especialista.

Essa é a razão pela qual muitas pessoas descuidam da higiene, porque acham que quanto mais lavam os cabelos, mais os cabelos caem. Puro mito. O dermatologista Valcinir Bedin, especialista em tricologia (estudo dos cabelos), diz que não existe relação entre as duas coisas, mas aconselha a não ir para a cama com os cabelos molhados, pois isso faz mal à saúde em geral.

Quanto aos xampus antiqueda, esclarece o especialista, "são apenas coadjuvantes do tratamento, pois é impossível reverter um quadro de queda só com esses produtos. Mas eles são bons para manter o couro cabeludo estável e limpo, especialmente quando se verifica a presença de dermatite seborréica ou caspa".

Outro mito muito difundido é o de que a calvície, na verdade, é uma herança materna. Sim e não. Realmente, a alopécia tem causas genéticas. Entretanto, ela é o resultado de uma espécie de mix genético do tipo dominante e por isso pode ser herdada de ambos os pais, mesmo que eles não apresentem tendência à queda de cabelos. Às vezes, "na árvore genealógica da calvície, ela está ligada à pessoa por causa de um tio, um bisavô ou um tataravô", esclarece o professor de dermatologia Jerry Shapiro, chefe da Clínica de Doenças do Cabelo e do Couro Cabeludo da Universidade de Nova York.

Mulheres não ficam carecas?

Para os que pensam que as mulheres estão livres do problema, Bedin dá uma péssima notícia: "Temos uma perspectiva de aumento de 10% ao ano no número de casos de diminuição de cabelos em mulheres". "Não podemos chamar de calvície, uma vez que este termo só se aplica a diminuição (rarefação) capilar devido a problemas genéticos. Mas é uma perda de cabelos".

Entre as causas, o estilo de vida moderno: o estresse provoca no corpo alterações que levam à perda de cabelos e, mesmo que indiretamente, mudanças hormonais consequentes a esse estado podem potencializar a queda. Isso acontece porque o estresse aumenta a produção de estradiol, um hormônio que impede o crescimento dos cabelos", conclui.

Na opinião de Shapiro, porém, as situações estressantes que podem causar essa perda são "fatos drásticos como luto, divórcio ou falência".

Efeito cabeça de boneca

Outra ideia comum no que se refere ao tratamento da calvície com transplantes é o chamado "aspecto de cabeça de boneca". Bedin diz que para se obter um resultado estético adequado, deve-se esperar ao menos seis meses. "Apesar desse tempo de espera, quase não existe preconceito em relação à técnica, e a dúvida recorrente é fazer ou não fazer".

"A solução cirúrgica é indicada nos casos em que outros tratamentos não foram satisfatórios, e é realizada com anestesia local sob sedação (o paciente dorme durante o procedimento)", comenta o especialista. "Segue-se a retirada de uma porção do couro cabeludo na área da nuca; os fios são separados um a um e inseridos onde há escassez. O tempo de espera para o crescimento é de dois meses. A partir daí, os cabelos crescem um centímetro a cada mês", conclui.

Veja o argumento dos especialistas em relação a outros mitos comuns:

Remédio para tratamento de calvície causa disfunção erétil
FALSO. Apesar de determinadas remédios apresentarem esse efeito na bula, o fato costuma ser muito raro. Os especialistas afirmam que quando o paciente é bem orientado, raramente sofre o sintoma.

Uma vez iniciada a queda, ela é permanente e irreversível
PARCIALMENTE VERDADEIRO. O cabelo pode voltar a crescer se a queda estiver relacionada ao estresse ou doenças (como câncer e lúpus). Nos casos mais comuns (para homens e mulheres), quanto mais cedo for o tratamento, melhores serão os resultados.

Homens calvos são menos viris
FALSO. A origem da crença se relaciona a Sansão, o personagem bíblico que teve sua virilidade questionada depois que Dalila lhe cortou os cabelos. Além disso, homens de sucesso, fortes e poderosos, continuam a ser representados por meio de modelos com belos cabelos. Entretanto, não existem evidências científicas que comprovem uma relação entre calvície e virilidade. O que existe é uma menor satisfação com a imagem corporal e a convicção de que aparentam ser mais velhos.

Homens calvos são mais potentes
FALSO. Queda de cabelo nos homens não tem relação com a produção de testosterona, mas com uma sensibilidade genética a uma espécie de testosterona modificada no organismo, a dihidrotestosterona (DHT).

O tipo de penteado pode pode causar queda
VERDADEIRO. Coques e rabos com o amarrado muito forte, especialmente nos casos de pessoas afro-descendentes, pode causar uma espécie de queda de cabelo denominada alopécia de tração.

A queda acontece de forma aleatória no couro cabeludo
FALSO. Normalmente ocorre no topo da cabeça e, em geral, começa na região da coroa ou frontal (pode ser nas duas ao mesmo tempo). Essa região frontal é também conhecida como região das entradas.

Não há nada que se possa fazer em relação à calvície
FALSO. Atualmente existem vários tratamentos disponíveis, incluindo medicamentos e procedimentos cirúrgicos.

Cortar ou raspar o cabelo afeta crescimento e textura dos fios
FALSO. Nada do que se faça no fio e que não interfira no couro cabeludo causará mudanças na raiz. Logo, cortar e raspar pouco influenciam.

Para se ter bom cabelo é preciso comer proteína
VERDADEIRO. De 60% a 90% da composição capilar é aminoácido. Portanto, uma alimentação rica em proteínas pode melhorar a qualidade dos fios e deixar os cabelos mais fortes.

É normal perder 100 fios de cabelos todos os dias
PARCIALMENTE VERDADEIRO. É considerado normal perder 100 fios se eles estiverem sendo repostos. Se há perda de 300 e reposição de 300, há um equilíbrio que não evolui para calvície ou rarefação capilar. Porém, se a pessoa estiver perdendo 30 e repondo 20, o balanço negativo se estabelece e a falta de cabelo começará a aparecer.

O número de folículos pode ser aumentado com tratamento ou medicamentos
PARCIALMENTE VERDADEIRO. O número de folículos é determinado na formação do indivíduo, quando na fase de feto, no útero materno. Esse número não poderá ser aumentado com tratamentos, exceção feita à terapia com células tronco que permita a proliferação dos folículos. A partir daí, poderiam ser implantados, aumentando os folículos do indivíduo em vida.

No outono os cabelos caem mais
VERDADEIRO. A explicação para esse fato é que existem em nossa pele sensores de luminosidade, que recebem mais estímulos no verão, fazendo com que os cabelos cresçam mais e caiam menos nessa estação. Com a chegada do outono, os fios que não caíram começam a cair e dão a impressão de uma queda mais intensa.

Secador e chapinha causam queda
PARCIALMENTE VERDADEIRO. Chapinha e secador aquecem os cabelos e, se não aplicados corretamente, podem danificar a haste capilar. Entretanto, uma frequência máxima compreendendo dia sim, dia não, pode ser aceita.

Cosméticos como tintura, gel, mousse, e produtos sem enxágue podem causar calvície
FALSO. Esses produtos podem ressecar ou diminuir o brilho dos fios, mas não interferem na queda de cabelos. Saber a origem, a marca e quem é o fabricante, é importante para saber quem consultar sobre a qualidade e conteúdo dos produtos em caso de acidentes.

Anabolizantes e vitaminas causam queda
VERDADEIRO. Esteroides podem causar queda de cabelo nas pessoas geneticamente predispostas. Em relação às vitaminas, em geral elas não ajudam e, em excesso, podem causar queda.

Fontes: dermatologistas Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo (SBEC); Jerry Shapiro, da Universidade de Nova York e Ademir Jr., professor de Anatomia e Fisiologia da pele do curso de pós-graduação em Cosmetologia das Faculdades Oswaldo Cruz

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