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09/07/2009 - 12h00

Obesidade pode ser fator de risco para gripe suína

Cristina Almeida
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Quem vive brigando com a balança pode ter mais um motivo para se preocupar. Um estudo preliminar realizado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), órgão americano encarregado do controle e prevenção de doenças infecciosas, declarou que pessoas obesas podem ser mais suscetíveis ao vírus H1N1 pandêmico 2009, novo nome oficial da gripe suína.

As conclusões são consequência da observação de 553 casos, dos quais 30 resultaram em internações hospitalares na Califórnia (EUA). Segundo as conclusões divulgadas pelo CDC, dois terços dos pacientes tinham doenças crônicas como asma, obstrução pulmonar, imunodeficiência, doença cardíaca (congênita ou coronária) e diabetes.

Todas essas doenças já eram reconhecidas como fatores de risco para gripes comuns, mas a grande surpresa foi a identificação da obesidade nos históricos mais graves da nova enfermidade. Por esse motivo, o CDC avalia a possibilidade de incluí-la no rol oficial das condições de risco para a gripe suína.

Embora ainda não se saiba qual é a relação existente entre os quilos a mais e o vírus H1N1, os especialistas acreditam que o excesso de peso na região abdominal comprima o pulmão, agravando os sintomas.

O médico Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica e Endocrinologia do HC-FMUSP e presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), comentando esse novo dado, diz que a gripe comum não tem obrigatoriedade de notificação às autoridades sanitárias. Talvez por isso a obesidade nunca pôde ser estabelecida como fator de risco, apesar de influir no sistema imunológico dos obesos, segundo ele.

Capacidade pulmonar prejudicada

De acordo com Mancini, pessoas obesas também apresentam distúrbios na mecânica ventilatória do corpo, o que poderia ser outra causa da maior suscetibilidade ao vírus da gripe.

"As bases pulmonares são mal ventiladas, permitindo a formação de atelectasias (colapso parcial ou total do pulmão, bloqueando a passagem de ar pelos brônquios). A capacidade pulmonar é prejudicada por essa compressão, tornando a tosse menos eficiente na eliminação das secreções brônquicas", esclarece.

Indagado se esse novo risco seria igual para homens, mulheres e crianças, o endocrinologista diz que ele pode ser maior para obesos com mais gordura abdominal, padrão comum entre os homens. Porém, acrescenta, "o sinal de alerta é para qualquer pessoa que esteja acima do peso".

Risco também para gestantes

Outra informação divulgada pelo CDC foram os casos de pacientes grávidas com evoluções graves: das cinco identificadas, duas tiveram complicações como aborto espontâneo e deslocamento das membranas. Mancini informa que o problema com essas pacientes é o mesmo: "compressão das bases pulmonares pelo útero gravídico, que se acentua mais no terceiro trimestre". Além disso, ele diz que o crescimento do útero bloqueia o retorno do sangue pelas veias, alterando a circulação no tórax.

Recomendações

Conforme esse estudo setorizado, os sintomas mais comuns foram febre, tosse e dificuldade respiratória; os diagnósticos mais frequentes, pneumonia e desidratação. O grupo mais afetado foi o das pessoas com idades entre 5-19 anos e 20-39 anos.

Os pacientes, em sua grande maioria, foram dispensados após curto espaço de tempo. Pessoas sem históricos de grupo de risco se recuperaram sem maiores complicações e a média de período de internação foi de 2 a 5 dias; um terço dos pacientes apresentaram radiografias anormais, e apenas 9% deles foram tratados com oseltamivir, antiviral utilizado contra o vírus da influenza dos tipos A e B.

A recomendação do CDC é que todos os pacientes hospitalizados sejam monitorados cuidadosamente e tratados com terapia antiviral, mesmo aqueles que procurem ajuda médica após 48 horas do início dos sintomas.

Quanto aos obesos, ainda não existem indicações oficiais sobre como proceder em termos preventivos. Entretanto, diz Mancini, "já foi cogitado se esse grupo teria prioridade para receber imunização no caso de disponibilidade de uma vacina".

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