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10/07/2009 - 15h56

Doença de Chagas é tão antiga nas Américas quanto a presença humana

Do UOL Ciência e Saúde*
Em São Paulo
Descoberta há cem anos pelo pesquisador Carlos Chagas, a doença que levaria seu nome e que hoje, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge 16 milhões de pessoas no mundo, existe nas Américas desde a chegada do homem ao continente, há 26 mil anos. A constatação é parte do estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz).

Divulgação/Ensp/Fiocruz
Ao procurar pinturas rupestres em cavernas, pesquisadores se depararam com barbeiros
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Coordenado pelos pesquisadores Luis Fernando Rocha Ferreira da Silva e Adauto José Gonçalves de Araújo, da Ensp/Fiocruz, em parceria com a arqueóloga Niéde Guidon e pesquisadores do Brasil e de outros países, o trabalho foi apresentado na últim quarta-feira (8), durante o primeiro dia do Simpósio Internacional do Centenário da Doença de Chagas, que termina nesta sexta-feira.

Tanto a pesquisa quanto o simpósio foram realizados com apoio da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).

O estudo teve início em 2004, na região de São Raimundo Nonato, Piauí, quando os pesquisadores observavam que os arqueólogos que copiavam pinturas rupestres encontradas em cavernas da região foram atacados por barbeiros - inseto transmissor da doença de Chagas - e contaminados com a enfermidade.

Por meio de análises microscópicas de DNA de corpos e fezes mumificados, foi possível confirmar o diagnóstico da doença nessas populações.

O estudo contraria a ideia anterior, de que a doença de Chagas teria origem entre 6 a 8 mil anos.

Sobre a doença de Chagas

A doença de Chagas é considerada autóctone nas Américas, ou seja originada e disseminada aqui. Não há registros de transmissão natural em outras regiões do planeta. Porém, nas últimas décadas, especialistas identificaram a mudança do perfil epidemiológico da doença. Os focos que eram restritos à América Latina, agora avançam em países onde o vetor clássico (barbeiro) não está presente, por vias alternativas, como a transfusão sanguínea e o transplante de órgãos.

Países como Espanha, Suíça, França, Japão, Austrália, Canadá e Estados Unidos, que até então não estavam preparados para identificar pacientes chagásicos, já registram casos da doença.

A enfermidade tem duas fases: uma aguda e outra crônica. A primeira ocorre logo após a infecção e pode durar de algumas semanas a meses, período em que os parasitas podem ser encontrados na circulação sanguínea.

A infecção pode ser moderada ou assintomática. Pode haver febre ou inchaço ao redor do local da inoculação (onde o parasita entrou na pele ou mucosa). Em raras ocasiões, a infecção aguda pode resultar em inflamação severa do músculo cardíaco ou do cérebro e seu revestimento.

Já a segunda fase pode parecer assintomática para muita gente e poucos parasitas são encontrados na corrente sanguínea. Porém, alguns pacientes desenvolverão problemas debilitantes durante a vida, como anormalidades no músculo cardíaco que podem levar à morte súbita, dilatação cardíaca com consequente mau bombeamento sanguíneo, e ainda dilatação do esôfago e cólon, com consequente dificuldades de alimentação e passagem de fezes.

As construções de pau-a-pique, comuns nas áreas rurais do Brasil dos séculos XIX e XX, são consideradas importantes para a difusão da doença neste período, uma vez que suas características físicas, com buracos de telhas vazadas, constituem importante abrigo para a proliferação dos barbeiros.

No Brasil, estima-se em dois milhões o número de pacientes crônicos - 600 mil deles com complicações cardíacas ou digestivas que terminam levando ao óbito cinco mil pessoas por ano. Em valores absolutos, o número de brasileiros que morrem por doença de Chagas é similar ao dos que morrem por tuberculose e dez vezes superior às mortes causadas por esquistossomose, malária, hanseníase ou leishmaniose.

*Com informações da agência de notícias da Faperj



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