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13/07/2009 - 07h00

Para algumas pessoas, o leite é o inimigo número um da dieta

Chris Bueno
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Para as pessoas que sofrem de intolerância à lactose, guloseimas como sorvete, milkshake e queijo estão na lista negra. Em casos mais graves, nem mesmo bolos e tortas que contenham leite na receita podem ser consumidos. Surtos de náuseas, cãibras, sensação de estufamento, gases e diarreia são alguns sintomas provocados pela ingestão, normalmente cerca de 30 minutos após o consumo.

Arquivo Folha Imagem
Estima-se que 10% da população branca e até 30% dos negros e asiáticos sofram de intolerância à lactose, o açúcar do leite
CERTAS DOENÇAS EXIGEM RESTRIÇÃO ALIMENTAR CONTÍNUA
MILHARES DE BRASILEIROS SOFREM DE INTOLERÂNCIA À LACTOSE
INTOLERÂNCIA À LACTOSE É DIFERENTE DA ALERGIA AO LEITE
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O problema tem origem na deficiência de uma enzima chamada lactase, responsável por quebrar a lactose (o açúcar do leite) no aparelho digestivo. "Estima-se que 10% da população branca apresenta uma deficiência de lactase. Na população negra e asiática, o índice pode ser maior que 30%", diz Elisabete Almeida, diretora do departamento de Educação Médica para Leigos da Associação Paulista de Medicina (APM).

Quando a deficiência de lactase não é tão expressiva, a pessoa pode consumir alguns tipos de laticínios, mas em quantidade controlada.

Para ajudar a lidar com os efeitos desagradáveis da intolerância à lactose, existem opções como o leite tratado, que não contém lactose, e o de soja. Há também suplementos de enzima lactase, disponíveis em drágeas ou tabletes mastigáveis, que devem ser ingeridos junto com os laticínios. Outra opção são as gotas de enzima lactase, que devem ser adicionadas ao leite 24 horas antes do consumo. Porém, mesmo com esses recursos, é preciso controlar a quantidade a dieta.

Quem não segue o tratamento corre o risco de ter deficiência de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais, perdidos devido à diarreia prolongada. "A desnutrição causa um enfraquecimento das defesas do organismo, abrindo campo para o surgimento de infecções diversas", alerta a nutricionista Juliana Crucinsky.

"O início da minha mudança de hábitos alimentares foi bastante difícil, até porque eu tenho uma relação de paixão pela culinária", conta empresária Luciane Baldo de Oliveira, 39 anos, intolerante à lactose. Para ter uma vida saudável sem abrir mão do prazer, ela passou a pesquisar alimentos que poderiam substituir o leite em sua dieta, o que resultou na criação do site www.semlactose.com.

Alergia à proteína do leite

Além da intolerância à lactose, existe outra condição que faz dos produtos lácteos o inimigo número um da saúde: a alergia à proteína do leite. Nesse caso, até mesmo quantidades minúsculas podem resultar em coriza, cólica, inchaço nos olhos, reações na pele, vômito, constrição na garganta e dificuldade de respirar. Nesses casos, a única saída é eliminar completamente o leite do cardápio.

O organismo do alérgico reage como se a proteína fosse um agente estranho que precisa ser combatido e desencadeia reações. O problema geralmente se desenvolve no primeiro ano de vida e, com o tempo, o sistema imunológico acaba desenvolvendo uma tolerância à proteína do leite. Enquanto isso não acontece, a saída é substituir o leite (de vaca, cabra ou búfala) por soja ou fórmulas especiais para bebês.

O leite e seus derivados são uma das principais fontes de cálcio na alimentação. Por isso, cortar esses alimentos da dieta exige atenção. "Certos alimentos, como o brócolis e o espinafre e o uso de suplementos podem ser úteis para o aporte de cálcio. Deve-se também aumentar o consumo de alimentos ricos em vitamina A (fígado, abóbora, cenoura, mamão, manga, verduras verde-escuras e ovo) e vitamina D (atum, salmão, castanhas, ovo)", aconselha a representante da APM.

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